A descoberta macabra foi feita num descampado perto do mar do Golfo do México, no Estado de Veracruz, a cerca de 400 quilómetros da capital do país.

Não consigo imaginar quantas pessoas podem ter sido ali enterradas ilegalmente. Veracruz é uma enorme vala comum", foi a descrição feita pelo procurador-geral local, Jorge Winckler, em declarações à estação televisiva Televisa.

A vala comum com mais de 250 crânios e outros ossos humanos poderá ser a maior de sempre descoberta no México.

Durante muitos anos, os cartéis de droga faziam desaparecer pessoas e as autoridades eram complacentes", acrescentou Jorge Winckler.

No Estado de Veracruz, o antigo governador Javier Duarte é procurado pela Interpol, segundo recorda o jornal brasileiro Globo. E a região é há vários anos controlada pelo cartel de droga Zeta, que nos últimos anos tem medido forças com um outro, o Jalisco Nova Geração, pelo domínio do tráfico.

Mães ajudaram à descoberta

A vala comum que terá os restos mortais de vítimas dos cartéis de droga, assassinadas ao longo dos anos, foi descoberta com a ajuda e persistência de um grupo de mães, o Colectivo Solecito, que há muito procuram os seus familiares desaparecidos.

Dar-nos-ão apenas as ossadas, mas pelo menos poderei tê-las. Poderei colocá-las num sítio, onde poderei colocar umas flores", salientou à Televisa, Martha González, uma das mães do grupo, cujo filho, um agente da polícia, desapareceu em 2013 com cinco outros colegas.

A identificação das vítimas será um processo demorado, como salientou à imprensa o procurador Winckler. As autoridades do Estado de Veracruz tentam agora cruzar as caveiras com os dados das pessoas desaparecidas: cerca de 2400, nos últimos anos.

Entretanto, as autoridades já identificaram os restos mortais de Pedro Alberto Huesca, um elemento do gabinete do procurador-geral de Veracruz, desaparecido há quatro anos, após ter estado envolvido no desamantelamento de uma célula do cartel Zeta.

Estou tão triste de o ter o encontrado assim, mas tenho paz no coração porque ele foi encontrado e não ficou ali abandonado como um cão", confidenciou a mãe, Griselda Huesca, em declarações à cadeia televisiva CNN.

Ele agora está onde deve estar. Com a sua família e não no buraco para onde o atiraram".

Paulo Delgado