O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro enviou, esta quinta-feira à tarde, à Presidência da República do país uma das gravações que o patrão da JBS fez com Michel Temer. Demorou pouco até a gravação ter vindo parar à imprensa

O arquivo de áudio dura quase 39 minutos com conversas entre Joesley Batista e Michel Temer.

’Tamo junto aí, o que o sr. precisar de mim, viu, me fala”, disse Joesley Batista ao presidente Michel Temer, na noite de 7 de março no Palácio do Jaburu.

A conversa girou em torno das investigações da Lava Jato e sobre Eduardo Cunha, que está preso desde outubro de 2016.

Um pouco antes dos 10 minutos de gravação, Joesley Batista é bastante direto: “Queria te ouvir um pouco presidente, como é que o senhor ´tá nessa situação toda do Eduardo, não sei o quê…”

 

Temer responde: “O Eduardo resolveu me fustigar. Você viu que... Eu não tenho nada a ver com a defesa. O Moro indeferiu 21 perguntas dele, eu não tenho nada a ver com a defesa dele. Eu não fiz nada”

Dentro do que foi possível eu, e o máximo que deu ali, zerei tudo o que tinha de alguma pendência. Daqui p’ra ali zerou tal e tal, liquidou tudo, e ele foi firme em cima, ele já ´tava lá, veio cobrou, tal, tal, tal, pronto acelerei o passo e tirei da frente”, assegurou Batista na gravação, naquilo que a imprensa brasileira considera ser uma referência a pagamentos a Eduardo Cunha.

 

Tem que manter isso, viu?”, diz-lhe Temer.

Numa curta declaração, enérgica, mas sem direito a perguntas, o presidente brasileiro tentou pôr uma pedra sobre o assunto que abalou o país, quarta-feira à noite, com a revelação de que o empresário Joesley Batista teria gravado a conversa que tivera consigo a 7 de março. Na conversa, Temer teria assentido a que ele continuasse a pagar mensalmente subornos ao detido ex-deputado, Eduardo Cunha. Para que este não contasse o que sabe à Justiça.

Depois das declarações do presidente do Brasil, muitos foram os brasileiros que saíram à rua para demonstrar o descontentamento com a atual situação política do país. 

Oito pedidos de impeachment apresentados

Esta quinta-feira à tarde, foi apresentado um novo pedido de impeachment do presidente Michel Temer. O documento avançou com o apoio das bancadas de vários partidos da oposição - o PCdoB, PT, PDT, PSol e Rede, além de deputados de PSB, PTB e PHS, e assinado também por pessoas da sociedade civil.

É o oitavo pedido de impeachment do presidente que tramita na Câmara. Sete desses pedidos foram apresentados nas últimas 24 horas, depois de ser conhecida a existência da gravação acima apresentada.