Revolta e indignação. Foi assim que a maioria dos australianos reagiu depois do comissário da polícia da Nova Gales do Sul ter sugerido a criação de uma aplicação que regista o consentimento sexual.

Na quinta-feira, Mick Fuller teorizou que fosse criada uma tecnologia digital com o propósito dos casais registarem o consentimento mútuo antes de terem relações sexuais.

O responsável pelas forças de segurança da região acredita que este tipo de aplicação poderia ser utilizado para o que classificou de “consentimento positivo”.

Contudo, a sugestão bem intencionada rapidamente se tornou um alvo de críticas. Foram várias as pessoas que se manifestaram contra a ideia, realçando que se trata de uma solução a curto-prazo e que, eventualmente, pode até potenciar os casos de abusos sexuais.

Existem ainda os que temem que a aplicação se torne rapidamente num método de vigilância estatal sobre os cidadãos.

Nas últimas semanas, a discussão sobre abusos sexuais e assédio às mulheres voltou a estar no centro dos holofotes na Austrália. Na segunda-feira, dezenas de milhares de pessoas participaram numa marcha de protesto, em vários pontos do país.

Nuno Mandeiro