No decorrer da última semana, imagens da crise migratória vivida na fronteira de Ceuta têm povoado as notícias e chocado o mundo. Retratos de desespero e debilidade daqueles que se lançam ao mar na esperança e luta pela sobrevivência, são por estes dias uma constante. 

Esta quinta-feira, as câmaras da agência Reuters captaram mais uma dessas lutas para chegar "ao outro lado". As imagens mostram um jovem migrante que recorreu a garrafas de plástico, amarradas ao corpo, para conseguir flutuar nas águas que o separavam de Ceuta. 

Chegado a terra, o jovem inicia uma tentativa de fuga, chega a trepar um muro que se segue ao areal, mas é apanhado por dois polícias que estavam no terreno.

As imagens do menino que viu nas garrafas de refrigerante a sua boia de salvação já correm mundo e as partilhas nas redes sociais somam-se a cada minuto. 

Ceuta e Melilla, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, são regularmente palco de tentativas de entrada de migrantes, mas a maré humana destes últimos dias não tem precedentes.

A origem desta última crise entre Espanha e Marrocos está relacionada com a permanência em Madrid do secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, por motivos de saúde.

A Frente Polisário, considerada como um grupo terrorista por Rabat, reivindica o direito à autodeterminação no Saara Ocidental, território que foi colónia espanhola e posteriormente ocupado pelo Marrocos.