A Associação Marroquina pelos Direitos Humanos (AMDH) acusou, esta segunda-feira, Espanha de devolver “ilegalmente” a Marrocos 40 refugiados iemenitas, incluindo um menor, do enclave espanhol de Ceuta durante a crise migratória da semana passada.

Estes refugiados iemenitas “foram registados e instalados no centro de acolhimento de requerentes de asilo” antes da crise e levados “à força para a fronteira marroquina” pela “polícia e militares espanhóis”, denunciou a associação numa declaração publicada na rede social Facebook.

Estas expulsões constituem “uma grave violação dos direitos desses migrantes, reconhecidos como refugiados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados”, disse o ativista desta associação, Omar Naji.

Na semana passada, cerca de 10.000 migrantes, principalmente marroquinos, tentaram chegar ao enclave espanhol de Ceuta, aproveitando uma diminuição dos controlos de fronteira por Marrocos, no contexto de uma grande crise diplomática entre aquele país e Espanha.

Desde quinta-feira, mais de 6.000 migrantes foram expulsos do enclave de acordo com um acordo logístico entre os dois países para organizar o retorno.

Na origem da crise entre Rabat e Madrid esteve a hospitalização de Brahim Ghali, líder da Frente Polisário, em solo espanhol, após ter contraído covid-19.

Rabat afirmou que o líder do movimento de independência, apoiado por Argel, viajou “fraudulentamente e com passaporte falsificado” e apelou a que fosse feita uma “investigação transparente” às condições da sua ida para Espanha, que Madrid justificou com “motivos humanitários”.

Várias organizações humanitárias denunciaram o tratamento dado aos migrantes durante a chegada e expulsão de Ceuta, tendo a Amnistia Internacional afirmado que alguns, incluindo menores, “foram espancados” pelas autoridades espanholas e apelado a que seja feita uma investigação sobre “os abusos”.

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