A Dinamarca pretende colocar os estrangeiros mais indesejáveis do país numa ilha suficientemente distante do continente. Uma ilha no Báltico, a Lindholm, que, neste momento, serve de centro de investigação para doenças de animais contagiosas.

A decisão foi tomada na sexta-feira e prevê o realojamento na ilha de 100 estrangeiros, condenados por crimes cometidos na Dinamarca ou a quem foi recusado o asilo político e não pode regressar ao seu país. Chegados a Lindholm, têm de se apresentar diariamente no centro de dia ou serão detidos.

A abertura das instalações está prevista para 2021.

Não são bem-vindos à Dinamarca e têm de o sentir”, escreveu a ministra para a Imigração, Inger Stojberg, na sua página no Facebook.

A ilha, com seis hectares, está a três quilómetros da costa e praticamente não tem serviço de transportes. Um dos dois ferries que serve, de forma não regular, a Lindholm é mesmo conhecido por “Vírus”.

Vamos minimizar o número de viagens de ferry o máximo possível. Será muito complicado e caro querer viajar de e para a ilha”, prometeu Martin Henriksen, porta-voz do Partido Popular para a Imigração.

Para o governo dinamarquês, a ilha não é uma prisão, ainda que todos os residentes sejam obrigados ali a pernoitar.

O acordo foi alcançado na sequência da discussão do orçamento do Estado para o próximo ano, depois de o Partido Popular Dinamarquês ter exigido restrições a imigrantes ou refugiados a troco de votos favoráveis.

O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, assumiu, no mês passado, que o objetivo do seu governo não é mais integrar os refugiados e sim dar-lhes abrigo até que possam regressar ao seu país de origem.

Não é fácil pedir a famílias para irem embora quando estão já integradas, mas, moralmente, é a coisa certa a fazer. Não podemos ter refugiados imigrantes”, disse durante uma reunião do seu partido.

Em agosto, a Dinamarca decretou a proibição do uso do véu islâmico e prepara-se agora para aprovar a obrigatoriedade de um aperto de mãos para os imigrantes que queiram obter cidadania como parte da cerimónia de naturalização. Esta nova medida está igualmente a ser muito contestada, uma vez que muitos muçulmanos recusam apertar a mão de pessoas do sexo oposto.