Parte do Congresso norte-americano foi evacuada esta quarta-feira na sequência de uma larga manifestação pró-Trump que irrompeu em violência após um comício organizado em Washington, afirma a AFP.

Quatro horas depois da invasão o edifício acabou por ser declarado seguro por parte das autoridades norte-americanas.

A republicana Nancy Mace relata a situação na sua conta oficial de Twitter, sublinhando que foi forçada a abandonar o seu escritório por uma "ameaça próxima".

Estamos a ver manifestantes a atacar a polícia do Congresso. Isto é errado. Isto não é quem somos. Estou de coração partido pelo nosso país hoje", escreveu. 

Just evacuated my office in Cannon due to a nearby threat. Now we’re seeing protesters assaulting Capitol Police.
 

This is wrong. This is not who we are. I’m heartbroken for our nation today. pic.twitter.com/jC9P0YfSLQ

 

— Rep. Nancy Mace (@RepNancyMace) January 6, 2021

Os manifestantes entraram no edifício do Capitólio depois de derrubarem a barreira de segurança. Em ambas as câmaras afetadas, a ordem é para que os senadores fiquem fechados no interior.

O Senado suspendeu os trabalhos. Em causa estava o debate relativo à eleição de Joe Biden pelo Colégio Eleitoral.

Para lidar com a tensão crescente e a ameaça aos senadores, toda a Guarda Nacional de Washington foi ativada. São cerca de 1.100 militares que vão ser colocados de serviço para tentar travar os manifestantes.

Uma mulher ficou ferida com gravidade após ter sido alvejada no peito durante a invasão ao Capitólio, reporta a CNN, não avançando as circunstâncias do tiroteio. Mais tarde acabou por morrer no hospital.

Vários polícias ficaram também feridos. Pelo menos um teve de ser transportado para o hospital.

Donald Trump já veio pedir calma e ordem nas redes sociais. "Estou a pedir a todos aqueles que estão no Capitólio para permanecerem calmos. Sem violência! Lembrem-se, somos o partido da Lei e da Ordem - respeitem a lei e os nossos incríveis polícias. Obrigado!", escreveu.

Num vídeo gravado para as redes sociais, Trump pede aos seus apoiantes que desmobilizem. 

Roubaram-nos as eleições, mas têm de voltar para casa agora. Temos de ter paz", disse o presidente incumbente pouco depois de Joe Biden ter pedido a Trump que se dirigisse à nação através da televisão.

O presidente da Câmara de Washington D.C. ordenou recolher obrigatório.

A polícia do Capitólio pediu ajuda a outras forças policiais, para lidar com os milhares de manifestantes pró-Trump que se juntaram em frente ao Capitólio, forçando a entrada no Congresso.

O presidente da Câmara de Washington ordenou o recolher obrigatório a partir das 18:00 (23:00 em Lisboa), para ajudar no esforço das forças de segurança para conter os milhares de manifestantes que se concentraram no Capitólio.

A sede do Partido Republicano também foi evacuada depois de um aparelho suspeito ter sido encontrado perto das instalações. O diretor de comunicações do partido disse que todos os trabalhadores foram retirados por volta das 20:00 (hora de Portugal)

Uma fonte do partido disse à CNN que a evacuação foi motivada por uma bomba caseira colocada na fachada do edifício. A bomba foi detonada em segurança pela polícia.

A sede do Comité Nacional Republicano fica localizada a poucos quilómetros do Capitólio.

Na sequência do comício pró-Trump, centenas de polícias foram chamados a intervir em Washington para impedir conflitos entre os apoiantes de Trump e as autoridades, ao mesmo tempo que o Congresso reúne para colocar o último carimbo na eleição de Biden como presidente dos Estados Unidos.

Imagens nas redes sociais mostram momentos de alta tensão entre os manifestantes e as autoridades.

Centenas de manifestantes invadiram o Monumento de Washington durante a manhã ao som da música "Tiny Dancer", o hino da multidão que só foi interrompido por um pedido vindo de um megafone para que as pessoas deixem para trás mochilas, cadeiras e bandeiras de forma a conseguirem trespassar as barreiras de segurança montadas pela polícia.

O jornalista Igor Bobic, do jornal Huffington Post, partilhou uma imagem de um manifestante sentado numa das câmaras do Congresso. Segundo o repórter, o homem terá gritado "Trump venceu as eleições".

Matt Fuller, da mesma publicação, partilhou um vídeo onde se testemunha o caos vivido no Senado.

A Associated Press publicou uma fotografia que mostra a polícia do Capitólio a apontar armas contra a multidão que, já dentro do Capitólio, tenta invadir a Câmara dos Representantes, onde os senadores estavam reunidos. 

Na Câmara dos Representantes, foi entregue aos senadores máscaras de gás por medo de existir uma onda de gás lacrimogéneo nos corredores do Capitólio. 

Todos os senadores dentro da Câmara estão a receber indicações para se dirigirem para um vestiário. Há pelo menos 100 pessoas no local, reporta a imprensa norte-americana.

Como parte dos preparativos, a polícia colocou placas em todo o distrito alertando sobre a ilegalidade da posse de armas durante os protestos. Ao início da manhã, Donald Trump manifestou o seu apoio com a marcha republicana. "Washington está a ser inundada por pessoas que não querem ver a nossa vitória ser roubada por esquerdistas radicais", escreveu no Twitter.

O nosso país já sofreu o suficiente, eles não vão aguentar mais!", rematou o presidente cessante.

 

O presidente cessante dos EUA, Donald Trump, disse no comício que “nunca” admitirá a derrota nas eleições presidenciais, a duas semanas da tomada de posse do democrata Joe Biden.

Nunca iremos desistir. Nunca iremos ceder”, disse Trump durante um comício perante milhares de manifestantes que se deslocaram a Washington para o apoiar, no dia em que o Congresso ratifica o resultado do Colégio Eleitoral, que deu a vitória ao democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

Vencemos esta eleição, e ganhámos em geral”, acrescentou Trump, voltando a desafiar todas as evidências da sua derrota eleitoral.

 

 

Mais tarde, e também através do Twitter, Donald Trump acabou por apelar à paz, pedindo aos apoiantes que respeitassem a polícia norte-americana.

O presidente cessante voltou a pressionar o ex-vice Mike Pence, pedindo-lhe para usar poderes que ele não tem, numa tentativa de reverter a sua derrota nas eleições presidenciais.

Em contraste, Pence afirmou que não vai impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais por parte do Congresso. Mike Pence contraria assim a pressão exercida por Donald Trump, que pediu que o responsável rejeitasse os resultados.

Em resposta a isto, e ao mesmo tempo que manifestantes marcham dentro do Capitólio, Trump disse no Twitter que Pence "não teve a coragem para fazer aquilo que devia ter sido feito".

Mike Pence não teve a coragem de fazer aquilo que tinha de ser feito para proteger o nosso país e a nossa constituição, dando aos estados a chance de certificar os factos, não os fraudulentos", escreveu Trump, aludindo novamente a uma suposta fraude eleitoral não provada.

Mike Pence, que já foi escoltado, desempenhava a tarefa, perante o Congresso, de abrir os certificados de voto eleitorais de cada estado e apresentá-los aos escrutinadores indicados pela Câmara de Representantes e pelo Senado, ratificando o resultado do Colégio Eleitoral, que deu a vitória ao candidato democrata, Joe Biden.

Em reação publicada através do Twitter, o primeiro-ministro português afirmou que está a acompanhar com "preocupação" a situação em Washington.