Teerão excluiu negociar com Washington sem uma mudança visível do “comportamento geral” dos Estados Unidos, após o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, assegurar estar pronto a dialogar “sem condições prévias” com a República Islâmica.

A mudança do comportamento geral e dos atos dos Estados Unidos em relação à nação iraniana é o critério” que será tido em conta antes de qualquer eventual negociação, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Abbas Moussavi.

Adiantou que “a República Islâmica do Irão não tem em conta jogos de palavras e a utilização de uma nova linguagem para exprimir objetivos secretos”.

A ênfase posta por Pompeo na continuação de uma pressão máxima sobre o Irão mostra a continuação do mesmo comportamento defeituoso que deve ser corrigido”, disse ainda Moussavi, citado num comunicado do ministério.

Após várias semanas de um crescendo da tensão entre Washington e Teerão, o secretário de Estado norte-americano declarou hoje que os Estados Unidos estão prontos a dialogar com o Irão "sem condições prévias".

Pompeo adiantou, no entanto, que se manterá “o esforço norte-americano para parar as atividades nefastas da República Islâmica e da sua força revolucionária”.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos falava na Suíça, país que representa os interesses norte-americanos em Teerão na ausência de relações diplomáticas entre os dois países e que no passado assumiu a função de intermediário entre eles.

A Suíça é a segunda etapa de uma visita de Pompeo à Europa, que começou na Alemanha e inclui a Holanda e o Reino Unido.

Segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press, nesta deslocação o secretário de Estado tentará assegurar aos líderes europeus que os Estados Unidos não procuram o conflito com o Irão, pressioná-los sobre o que podem fazer para “arrefecer a situação” e talvez abrir um canal de comunicação com a República Islâmica.

A tensão entre os Estados Unidos e o Irão tem vindo a aumentar desde que Washington abandonou unilateralmente em maio de 2018 o acordo de 2015 sobre o nuclear iraniano e restabeleceu sanções que afetam duramente a economia da República Islâmica.

Nas últimas semanas a tensão registou uma escalada depois de os Estados Unidos anunciarem um reforço militar no Médio Oriente e de Teerão ter feito um ultimato aos restantes signatários do acordo nuclear (Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China) para encontrarem uma solução para contornar as sanções norte-americanas ou abandonará alguns compromissos do pacto.