As três irmãs russas Krestina, Angelina e Maria Khachaturyan começam a ser julgadas esta sexta-feira, pelo homicídio do pai, em julho de 2018, depois de anos de abusos sexuais. As três irmãs enfrentam a acusação de homicídio qualificado do pai e de terem premeditado o crime

As três adolescentes terão matado o pai com dezenas de facadas no peito e no pescoço. As jovens alegaram legítima defesa e relataram às autoridades anos de abusos.

O caso remonta a 27 de julho de 2018. O homem terá, nesse dia, castigado as filhas, por causa da desarrumação da casa. Ter-lhe-á aplicado gás pimenta na cara e nos olhos. Quando apanharam o pai, Mikhail Khachaturyan, a dormir, as três irmãs decidiram matá-lo: atacaram-no com uma faca, um martelo e usaram o mesmo spray com que ele as tinha castigado.

Foram as próprias jovens quem chamaram as autoridades e os meios de socorro. Krestina, então com 10 anos, Angelina, 18, e Maria, 17, foram presas no dia seguinte e confessaram o crime. Contaram às autoridades que eram alvo há anos, de abusos físicos, psicológicos e sexuais.

O caso gerou uma onda de indignação na Rússia, que não tem uma legislação que protege vítimas de violência doméstica. Aliás, em 2017, foi publicada legislação que descriminalizou os delitos de abuso doméstico e deixou desamparadas as vítimas deste tipo de violência.

Em janeiro, o Ministério Público chegou a retirar as acusações contra as irmãs, colocando-as em liberdade, mas com medidas de coação de restrição de circulação. Contudo, em maio, o mesmo  procurador, que tinha mudado o teor da acusação, voltou a fazer mudanças para homicídio qualificado contra as duas irmãs mais velhas (Maria, por ser menor à altura dos factos, será julgada à parte), o que as pode colocar na prisão por mais de 20 anos.

Manuela Micael