O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, venceu as eleições presidenciais com 80,23% dos votos, anunciou esta segunda-feira a agência de notícias estatal Belta, no dia seguinte ao escrutínio marcado por violência e acusações de fraude.

A grande rival de Lukashenko, a opositora Svetlana Tikhanovskaia, obteve 9,9% dos votos, de acordo com os primeiros resultados oficiais da Comissão Eleitoral bielorrussa.

No domingo, as presidenciais ficaram marcadas por várias manifestações em diferentes cidades e na capital, Minsk, em protesto contra a vitória anunciada de Lukashenko, de 65 anos, para um sexto mandato presidencial consecutivo.

A polícia tem o controlo da situação em relação às ações de massas não autorizadas”, indicou a agência na rede Telegram, ao citar o Ministério do Interior.

De acordo com diversos 'media', registaram-se vários feridos entre os manifestantes, com a difusão de imagens de pessoas com as caras ensanguentadas.

A polícia recorreu a granadas sonoras e balas de borracha para dispersar os manifestantes no centro de Minsk, onde milhares de manifestantes se reuniram durante a noite em diversos locais, indicaram. Foi ainda divulgada a ocorrência de confrontos entre manifestantes e a polícia.

Segundo estas informações, terão ainda ocorrido intervenções policiais durante concentrações da oposição em diversas cidades do país.

A campanha eleitoral para as presidenciais foi assinalada por uma mobilização sem precedentes em apoio de Svetlana Tikhanovskaia, sem experiência política prévia.

Desde a chegada de Lukashenko ao poder, em 1994, nenhuma corrente da oposição conseguiu afirmar-se na paisagem política bielorrussa. Muitos dos dirigentes foram detidos, à semelhança do que sucedeu neste escrutínio, e em 2019 nenhum opositor foi eleito para o parlamento.

Um morto e dezenas de manifestante feridos em controntos com a polícia na Bieolorrússia

Um homem morreu e dezenas de pessoas ficaram feridas durante as manifestações em Minsk, no domingo à noite, em protesto contra o resultado anunciado das eleições presidenciais na Bielorrússia, que ditou a vitória do atual presidente, Alexander Lukashenko.

A informação sobre a vítima mortal tem como fonte a organização não-governamental de defesa de direitos humanos Viasna da Bieolorrússia.  

Um jovem foi vítima de um traumatismo craniano depois de ter sido atingido por um veículo" das forças da ordem durante as manifestações no centro da cidade, disse a ONG através de um comunicado.

A Viasna acrescenta que há dezenas de pessoas feridas e que se encontram neste momento em hospitais de Minsk. 

Os militantes da oposição não aceitam o resultado oficial da votação de domingo.

Putin felicita Lukashenko pela vitória nas presidenciais

O Presidente russo, Vladimir Putin, enviou felicitações ao homólogo bielorrusso, Alexander Lukashenko, proclamado vencedor das eleições de domingo, cujos resultados estão a ser contestados pela oposição.

Conto com o facto de que a sua ação à frente do Estado vai permitir o desenvolvimento futuro das relações entre a Rússia e a Bielorrússia - vantajoso para as duas partes -", escreveu o presidente russo num telegrama enviado para Minsk.

Nas últimas semanas, Lukashenko acusou o "tradicional aliado russo" de querer desestabilizar o país ao de apoiar a oposição.

União Europeia reclama contagem "precisa" dos votos

A União Europeia (UE) reclamou a contagem "precisa" dos votos nas eleições presidenciais de domingo na Bielorrússia e, condenando a “violência estatal desproporcional e inaceitável”, exigiu a libertação imediata dos manifestantes detidos.

Numa declaração conjunta divulgada ao início da tarde em Bruxelas, o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, e o comissário europeu do Alargamento, Oliver Várhelyi, sublinham que, “após uma mobilização sem precedentes para eleições livres e democráticas, o povo da Bielorrússia espera agora que os seus votos sejam contados de forma precisa”.

É essencial que a Comissão Eleitoral Central publique os resultados que refletem a escolha do povo bielorrusso”, sustentam os responsáveis da União Europeia.

/ HCL - atualizada às 11:52