Passou quase um mês desde que Alexander Lukashenko foi reeleito presidente da Bielorrússia, cargo que ocupa de 1994, e que pretende continuar a segurar. A última votação fez estalar o verniz na antiga república soviética, e a população parece não abrandar nas intenções de evoluir para uma democracia plena.

Este domingo, e mesmo contra as ordens e avisos do governo e das autoridades, dezenas de milhares saíram à rua, sempre com a tradicional bandeira vermelha e branca como símbolo. O povo, como o seu hino, diz-se de paz, mas a polícia não parece concordar, e efetuou mais de 100 detenções nas manifestações deste domingo. Os números são da agência Interfax, mas não há relatórios oficiais.

A capital Minsk voltou a ser o ponto central dos protestos, resultando em várias colunas de manifestação que se colocaram em frente dos militares e dos seus muitos veículos.

Entre palavras de "vão-se embora" ou "não valem nada", pelo menos 70 pessoas terão sido detidas, segundo um balanço feito pela organização de direitos humanos Spring-96. A agência Interfax dá ainda conta de vários feridos na sequência de uma investida da polícia perante uma manifestação junto a uma fábrica.

As eleições presidenciais de domingo na Bielorrússia deram a vitória (mais de 80%) a Lukashenko, há 26 anos no poder, mas foram consideradas fraudulentas pela oposição, cuja principal líder, Svetlana Tikhanovskaia, foi obrigada a refugiar-se na vizinha Lituânia.

Desde então não têm parado as manifestações e as cenas de violência. As autoridades bielorrussas confirmam a morte de dois manifestantes.

 
António Guimarães