Um capacete azul das Nações Unidas no Mali (Minusma) morreu este sábado e outros quatro ficaram gravemente feridos na explosão de um engenho explosivo perto de Tessalit, informou a própria missão.

A equipa da Minusma foi atingida por “um artefacto explosivo improvisado” em Tessalit, na região de Kidal (Nordeste do país), junto à fronteira com a Argélia, especificou a Minusma, em comunicado, sem indicar a nacionalidade dos capacetes azuis atingidos.

“Este incidente é uma triste lembrança do perigo permanente que paira sobre os nossos soldados da paz e dos sacrifícios feitos pela paz no Mali”, sublinhou o chefe da Minusma, El-Ghassim Wane, citado no comunicado.

O ataque cobarde de hoje apenas fortalece a determinação da Minusma em apoiar o Mali e o seu povo na busca pela paz e pela estabilidade", frisou.

Em abril, quatro capacetes azuis da Minusma, oriundos do Chade, foram mortos num ataque terrorista ao seu acampamento, também no Nordeste do Mali.

No seu último relatório trimestral, a Minusma – que está no Mali desde 2013 e é atualmente a missão das Nações Unidas mais mortífera no mundo, com 145 mortos registados até 31 de agosto – dizia estar preocupada com o agravamento da violência resultante do avanço de grupos rebeldes para o Sul do país.

Em julho, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, recomendou o aumento em mais dois mil capacetes azuis para a Minusma, uma das mais dispendiosas e perigosas missões de manutenção da paz.

A instabilidade que afeta o Mali começou com o golpe de Estado de 2012, quando vários grupos rebeldes e organizações fundamentalistas tomaram o poder no Norte do país durante dez meses.

Os fundamentalistas foram expulsos em 2013, após uma intervenção militar internacional liderada pela França, mas extensas áreas do país, sobretudo no Norte e Centro, continuam a escapar ao controlo estatal e são, na prática, geridas por grupos rebeldes armados.

Além da presença de grupos terroristas, o Mali vive uma situação de grande instabilidade, com dois golpes de Estado em menos de um ano, após os quais se abriu o processo de transição em curso.

O líder do governo de transição, o coronel Assimi Goita, detém atualmente a presidência do país, por um período transitório de 18 meses (que termina em fevereiro), na sequência de um acordo alcançado entre os líderes golpistas malianos e a Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Goita liderou dois golpes de Estado sucessivos, um em agosto de 2020, em que depôs o então Presidente, Ibrahim Boubacar Keita, e outro em maio, em que afastou o presidente do governo de transição, Bah Ndaw, e o seu primeiro-ministro, Moctar Ouane.

Agência Lusa / NM