O número de pessoas em centros de acomodação no centro de Moçambique após a passagem do ciclone Idai desceu hoje mais de metade, para 73.740, anunciaram as autoridades.

De acordo com o balanço de hoje do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), registou-se uma descida para menos de metade em relação aos dados de segunda-feira, quando estavam 160.927 pessoas nos centros.

Neste sentido, também o número de famílias a receber apoio nos centros desceu para 14.327, menos de metade em relação aos 33.319 de segunda-feira.

O balanço mantém idênticos todos os restantes números, nomeadamente a contagem de mortes, que desde sábado ascende a 602.

O ciclone Idai atingiu Moçambique, Zimbabué e Maláui em 14 de março.

Em Moçambique, o ciclone provocou ainda 1.641 feridos e afetou mais de 1,5 milhões de pessoas, segundo o último balanço.

Governo cria comissão para acompanhar distribuição de alimentos

O Governo moçambicano criou uma Comissão Interministerial para acompanhar a distribuição de alimentos às vítimas do ciclone Idai e das inundações na zona centro, anunciou o Conselho de Ministros em comunicado.

A comissão já se encontra na Beira e é liderada pelo ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, Higino Marrule, lê-se no comunicado distribuído à imprensa.

A comissão integra também os vice-ministros dos Transportes e Comunicações, Manuela Rebelo, do Trabalho, Emprego e Segurança Social, Oswaldo Petersburgo, da Administração Estatal e Função Pública, Albano Macie, e das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Victor Tauakali.

A comissão é criada num momento em que crescem as denúncias de desvios de donativos e as autoridades moçambicanas já detiveram três pessoas.

Moçambique recebe mais sete milhões da UE

Moçambique vai receber mais sete milhões de euros da União Europeia (UE) de ajuda humanitária devido ao ciclone Idai, num total de 12 milhões hoje atribuídos e que serão divididos com o Zimbabué e o Maláui.

A Comissão Europeia anunciou hoje uma verba adicional de 12 milhões de euros de ajuda humanitária para as populações afetadas pelo ciclone Idai em Moçambique, que recebe a maior fatia (sete milhões de euros), Zimbabué (quatro milhões) e Maláui (um milhão de euros).

Em Moçambique, a verba destina-se a providenciar abrigos, água potável e saneamento básico, bem como ajuda alimentar e de saúde.

Em comunicado, o executivo comunitário reitera que o ciclone afetou o período anual das colheitas, com consequências na segurança alimentar dos próximos meses.

Ainda sobre a situação na região centro de Moçambique, o acesso a água potável é outra das preocupações sublinhadas por Bruxelas, para prevenir surtos de doenças como a cólera.

Continuamos solidários com as pessoas afetadas pelo ciclone Idai e as inundações em Moçambique, Zimbabué e Maláui”, disse, em comunicado o comissário europeu para a Ajuda Humanitária, Christos Stylianides, salientando haver ainda necessidades urgentes a acudir.

O envelope financeiro hoje anunciado complementa os 3,75 milhões de euros atribuídos imediatamente após o ciclone Idai, que atingiu os três países em 14 de março.