Um agente da polícia de investigação moçambicana que surge num vídeo de abuso sexual de uma menor de 13 anos deverá enfrentar processos crime e disciplinar, anunciou hoje a corporação, que repudiou o ato, após denúncias de várias organizações.

Há fortes indícios de que quatro pessoas terão praticado o crime, uma das quais é um agente do Sernic", disse à Lusa, Leonardo Simbine, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic).

"Distanciamo-nos e repudiamos a conduta do membro do Sernic. É reprovável a todos os níveis, não faz parte da conduta dos agentes e [o mesmo] deve ser responsabilizado. As investigações decorrem para determinar o grau de culpa", sublinhou.

Segundo referiu, a família da vítima "fez queixa da ocorrência no gabinete de atendimento à família e menor, na Machava" e iniciaram-se investigações.

As provas devem levar o polícia a enfrentar "dois processos", sublinhou: "Um processo-crime e outro disciplinar em função das acusações que recaem sobre ele".

O agente em causa "não está detido e os próximos passos vão ser dados em função do resultado das investigações", acrescentou.

Organizações da sociedade civil moçambicana pediram hoje, em conferência de imprensa, a expulsão do agente.

O Centro de Integridade Pública (CIP) lamentou que o mesmo "continue a circular no bairro onde a vítima mora e a proferir impropérios contra ela e contra a sua família, alegando que nada lhe irá acontecer".

Exigimos que seja feita uma investigação independente para que o agente seja responsabilizado e expulso da corporação. Essa é a nossa intenção ao denunciar este caso”, declarou Celeste Banze, do CIP.

Segundo a organização, a menor terá sido vítima de abuso do polícia, seu vizinho, e de outras três pessoas na tarde de 12 de setembro, na cidade de Maputo.

As organizações temem pelo facto de circularem nas redes sociais vídeos “chocantes”, gravados pelo grupo, com a vítima, em que esta surge debilitada.

O que nos choca bastante é terem exposto a rapariga através de vídeos. Ela está em idade escolar, imaginem o 'bullying' que vai sofrer”, frisou Aida Macuácua, do CIP.

“Esperamos por uma investigação para que seja feita justiça”, concluiu Heldibério Zacarias, da Associação Moçambicana das Mulheres de Carreira Jurídica.

O caso surge depois de uma outra polémica envolvendo a polícia.

No início do mês, o ministro do Interior de Moçambique, Amade Miquidade, anunciou medidas disciplinares para um instrutor e um agente da Escola Prática da Polícia que engravidaram duas alunas.

O caso provocou a indignação de várias figuras, incluindo o Presidente da República, Filipe Nyusi.

/ AG