Uma troca de tiros durante uma manifestação da oposição na capital da Somália hoje de manhã fez com que a policia reforçasse as medidas de segurança no local, disseram à France Presse testemunhas.

A origem dos disparos ainda não é conhecida, mas Yusuf Mohamed, uma das testemunhas presentes no local disse à AFP que se verificou um "forte tiroteio" entre as forças de segurança e os homens que faziam a proteção da manifestação.

A marcha da oposição decorria na estrada que conduz ao aeroporto de Mogadíscio. 

Talvez estejam pessoas feridas mas nós vamos proteger-nos", acrescentou Yusuf Mohamed.

De acordo com outra testemunha foram as forças de segurança que começaram os disparos.

Nós estávamos a desfilar pacificamente ao longo da estrada do aeroporto ao lado do antigo primeiro-ministro Hassan Ali Khaire quando as forças de segurança abriram fogo contra nós, instalando o caos", disse outro manifestante, Fadumo Moalim. 

Nas últimas semanas, a Somália enfrenta novas tensões políticas após o adiamento das eleições que estavam previstas para fevereiro, devido a discordâncias relacionadas com as modalidades de voto. 

Estava agendada para hoje uma reunião entre o presidente Mohamed Abdullahi Mohamed, conhecido como Farmajo, e os responsáveis regionais para se encontrar uma solução para o impasse político.

Uma coligação composta pelos candidatos da oposição exige a saída do chefe de Estado, cujo mandado terminou no passado dia 08 de fevereiro.

A coligação reúne vários candidatos, dois quais foram chefes de Estado da Somália. 

Amanhã começam as manifestações em toda a Somália e que se vão manter até que a retirada de Farmajo venha permitir a realização de eleições livres, justas e credíveis", disse a coligação da oposição em comunicado difundido na quinta-feira. 

O governo avisou a oposição contra a realização da manifestação marcada para hoje justificando a proibição com as medidas de contenção contra a pandemia de covid-19.  

Durante a madrugada multiplicaram-se as acusações das várias partes sobre atos de violência.

O Executivo disse, através de um comunicado, que "milícias armadas" encarregadas de protegerem os dirigentes da oposição atacaram um posto de controlo das forças de segurança em Mogadíscio. 

A oposição desmentiu "categoricamente" o ataque e acusou as forças da ordem de terem levado a cabo um ataque contra o hotel onde se encontravam instalados elementos da oposição.

Eles atacaram o hotel Maida, atacaram-me a mim e atacaram o ex-presidente Hassan Sheikh Mohamud", disse outro antigo chefe de Estado, Sharif Sheikh Ahmed, através da rede social Twitter.

As forças governamentais controlam as ruas da capital desde a madrugada, sobretudo a zona do trajeto da manifestação da oposição, usando veículos militares e aumentado a presença de tropas.  

/ MJC