O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, afirmou que assume "plena responsabilidade" pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do regime, mas negou ter ordenado o homicídio.

Este foi um crime hediondo. Mas assumo plena responsabilidade como líder na Arábia Saudita, especialmente porque foi cometido por indivíduos que trabalham para o Governo saudita", disse Mohammed bin Salman, em entrevista ao programa norte-americano "60 minutos" no domingo.

O príncipe herdeiro respondeu com um "não" categório à questão sobre se tinha ordenado o assassínio de Khashoggi, e apontou que o homicídio do influente jornalista no exílio tinha sido “um erro”.

A 2 de outubro do ano passado, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que morava nos Estados Unidos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, para tratar de alguns documentos necessários para o casamento com uma cidadã turca.

O jornalista não voltou a sair do consulado, onde foi morto por agentes sauditas, que saíram da Turquia e regressaram à Arábia Saudita logo após o assassínio.

O julgamento de 11 suspeitos pelo assassínio começou no início de janeiro, na Arábia Saudita, e o procurador-geral solicitou a pena de morte para cinco deles. Até hoje, ninguém foi condenado.

Em junho, a ONU publicou um relatório que responsabiliza diretamente o príncipe bin Salman e pediu mais sanções internacionais contra a monarquia saudita e a continuação das investigações sob os auspícios do organismo internacional.

Alguns pensam que eu devia saber o que três milhões de pessoas que trabalham para o Governo saudita fazem diariamente", afirmou o responsável, durante a entrevista que foi para o ar este domingo.

O príncipe herdeiro referiu-se ainda ao ataque a instalações petrolíferas da Arábia Saudita, em 14 de setembro, reivindicado pelos rebeldes huthis, mas que Riade acredita ter sido “inquestionavelmente patrocinado pelo Irão”.

Não há nenhum objetivo estratégico”, disse. “Apenas um tolo atacaria 5% do abastecimento global. O único objetivo estratégico é provar que eles são estúpidos”, acusou, pedindo uma “ação forte e firme para deter o Irão”.