O escritor italiano Andrea Camilleri morreu, esta quarta-feira, aos 93 anos, depois de sofrer uma paragem cardíaca num hospital de Roma, onde estava internado há cerca de um mês.

Andrea Camilleri deixa mais de 100 obras publicadas, sendo a mais famosa a série policial “O Comissário Montalbano”, que viria a ser adaptada para televisão em 1999. A série seria transmitida em mais de 60 países, incluindo Portugal.

Embora seja um dos nomes icónicos da recente ficção italiana, Camilleri começou a escrever apenas depois de fazer 60 anos. Até essa altura passou a vida profissional a exercer a carreira de professor, encenador e guionista.

O primeiro livro sobre Montalbano foi publicado em 1994 e dava pelo nome de “A Forma da Água”. Seguiram-se mais de 30 milhões de cópias vendidas da saga do inspetor.

À parte da vida profissional, Andrea Camilleri foi um confesso membro do Partido Comunista italiano e um verdadeiro crítico do antigo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi. Nos últimos anos de vida referiu-se a Matteo Salvini, atual vice-primeiro-ministro italiano, como alguém que lhe lembrava “um membro do regime fascista”.

Nascido em 1925, Andrea Camilleri viveu quase todo o período do fascismo de Benito Mussolini, que durou entre 1922 e 1945. Curiosamente, Matteo Salvini foi dos primeiros a reagir à morte do escritor, deixando um "adeus a Andrea Camilleri, pai de Montalbano e incansável escritor da sua Sicília".