O fotógrafo Robert Frank morreu, esta segunda-feira, aos 94 anos, no Canadá. Considerado um dos grandes profissionais da fotografia do século XX, morreu na cidade de Iverness, no estado da Nova Escócia.

O anúncio da morte do artista foi confirmado por Peter MacGill, da agência Pace-MacGill Gallery, que o representava.

Robert Frank vivia há vários anos com a sua mulher, nos Estados Unidos. Nascido na Suíça, mudou-se para a América do Norte em 1947, acabando por publicar o livro 'The Americans', um dos mais icónicos da sua obra.

Entre outros trabalhos, Robert Frank realizou um documentário sobre a banda Rolling Stones. 'Cocksucker Blues' descreve a digressão da banda britânica no ano de 1972.

Em 1961, realizou a sua primeira grande exposição no Instituto de Arte de Chicago e, a partir de 1971, instalou-se numa zona selvagem do Canadá, onde vivia com a mulher, continuando a realizar um trabalho de autor, muito introspectivo, na área do cinema e da fotografia.

Em 1965, realizou o filme 'Me and My Brother', e ainda 'Candy Mountain' (1988), com Rudy Wurlitzer, de caráter autobiográfico.

Em 'Conversations in Vermont' (1969), abordou a sua relação com os filhos, através da fotografia e dos álbuns de família, num diálogo sobre sentimentos, educação e o que representou para eles crescer num mundo boémio com pais artistas.

A Cinemateca Portuguesa tem incluído na sua programação diversos filmes do fotógrafo-cineasta. Assim aconteceu em 2018, durante o ciclo "24 Imagens", dedicado a cinema e fotografia, com a exibição de algumas das suas obras iniciais.

Em 2016, a Cinemateca apresentou 'Don't Blink, Robert Frank', documentário dirigido por Laura Israel, que editou os filmes de Robert Frank desde os anos de 1980/1990, sobre todo o seu percurso.

'Harry Smith at the Breslin Hotel' (2018), 'Cool Man in a Golden Age' (2010), sobre o artista Alfred Leslie, e 'True Story' (2004), com instantâneos de vida familiar em casas de Nova Iorque e da Nova Escócia, são alguns dos documentários mais recentes de Robert Frank.

Em 2009, o centro de arte contemporânea Jeu de Paume, em Paris, fez uma exposição retrospetiva da obra de Robert Frank e, mais recentemente, em 2015, a National Gallery de Washington colocou na sua página da Internet uma coleção com cerca de oito mil obras do fotógrafo e documentarista, produzidas entre 1937 e 2005, entre as quais a série 'The Americans'.

Em entrevistas, questionado sobre a razão de ter fotografado tanto a pobreza na América, Robert Frank respondia que o fez, porque gostava de retratar pessoas lutadoras. E porque tinha aversão àqueles que ditavam as regras.