Mais de 30 anos depois de ter cometido os primeiros crimes, um dos maiores assassinos em série da Coreia do Sul foi identificado pelas autoridades, graças a técnicas inovadoras de recuperação de ADN. As provas recolhidas ligam Chun Jae, de 56 anos, a pelo menos três de dez violentos homicídios, que ocorreram entre 1986 e 1991, no sul de Seoul.

No espaço de cinco anos, dez mulheres, com idades entre os 13 e os 71 anos, foram violadas e mortas nas zonas rurais de Hwaseong.

Todas as mulhares foram encontradas com os braços e as pernas amarradas com as próprias meias. Os cadáveres foram descobertos pelas autoridades dentro de um raio de três quilómetros.

A investigação contou com os esforços de mais de 2 milhões de polícias - um número recorde no país - que interrogaram 21 mil pessoas e registaram cerca de 20 mil impressões digitais, durante os 33 anos em que permaneceu o mistério. No entanto, as autoridades nunca conseguiram identificar o culpado, até esta quinta-feira.

Através do uso de técnicas forenses inovadoras de recuperação de ADN de crimes cometidos anos atrás, a Agência Policial de Gyeonggi identificou Lee Chun-jae como suspeito de pelo menos três dos assassinatos. 

Chun Jae, de 56 anos, foi condenado a prisão perpétua, em 1994, por ter violado e assassinado a cunhada. Confrontado com as acusações, o suspeito negou ter tido algum envolvimento nas mortes ocorridas há três décadas. 

Contudo, apesar das novas evidências científicas, os crimes prescreveram em 2006 e Chun-jae não vai enfrentar qualquer tipo de processo penal.

Expresso as minhas profundas condolências às vítimas e às suas famílias, tal como ao público coreano, por não termos conseguido resolver este caso durante tanto tempo”, disse o agente Ban Gi-soo, da  Agência Policial de Gyeonggi, à AFP.

Em 2003, o caso serviu de inspiração para o filme “Memories of Murder”, feito pelo premiado realizador coreano Bong Joon-ho.