A junta militar de Myanmar, chefiada por Min Aung Hlaing, organizou no sábado um luxuoso jantar, enquanto as tropas do país matavam mais de 100 pessoas nas ruas e forçavam milhares a fugir para a Tailândia. Este foi o culminar de uma das piores semanas desde 1 de fevereiro, altura em que estalou um golpe militar no país asiático.

As imagens colocadas nas redes sociais mostram o líder do golpe vestido formalmente, enquanto caminha numa carpete vermelha, cumprimentando vários convidados, enquanto se preparava para comemorar o Dia das Forças Armadas.

O feriado nacional comemora a data de início da resistência birmanesa à ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, e a junta que lidera o país quis celebrar com toda a pompa e circunstância, apesar de mais de 500 pessoas terem morrido em dois meses na sequência dos protestos.

Adicionalmente, sábado foi também o dia do Tabaung, o fim do calendário lunar e uma altura importante para a religião budista, que costuma ser marcada por festivais e visitas aos templos.

Em vez disso, assistiu-se a um autêntico massacre. Segundo as organizações internacionais, foram pelo menos 114 as pessoas mortas pela polícia e pelo exército, incluindo crianças, números que reportam apenas a sábado.

Desde o golpe de Estado militar que se repetem nas ruas birmanesas as manifestações de protesto, ações que têm sido marcadas pela violência policial e do exército.

Chegou novamente o momento de combater a opressão militar", declarou um dos líderes dos protestos, Ei Thinzar Maung, na rede social Facebook.

No dia 1 de fevereiro, os generais birmaneses tomaram o poder alegando fraude eleitoral nas legislativas do passado mês de novembro e contestando a vitória de Aung San Suu Kyi.

Desde o golpe de Estado repetem-se as manifestações de protesto marcadas pela violência policial e do exército.

De acordo com a Associação de Assistência aos Presos Políticos, mais de 2.800 pessoas, incluindo políticos, estudantes e monges, foram detidas na sequência do golpe de estado.

Num relatório citado pela agência de notícias France-Presse (AFP), a ONG disse ter verificado a morte de pelo menos 510 pessoas, incluindo estudantes e adolescentes, indicando que o balanço "é provavelmente mais elevado".

António Guimarães