Três crianças morreram e outras seis pessoas pertencentes à mesma família ficaram feridas após o local onde se encontravam, em Manica, centro de Moçambique, ter sido atingido por um raio, disse esta terça-feira à Lusa fonte policial.

O incidente ocorreu no domingo, quando um raio atingiu um celeiro onde estavam nove membros da mesma família para uma refeição, no povoado de Chinguno, distrito de Mossurize, sul de Manica, disse Elcidia Filipe, chefe do departamento das relações públicas no Comando da Polícia de Manica.

O celeiro ficou em cinzas, mesmo debaixo de chuva forte, acrescentou.

Segundo a mesma fonte, três rapazes morreram e as outras seis pessoas da família ficaram feridas.

Os feridos foram levados para o hospital, onde estão a receber cuidados médicos.

Em 2017, vários membros de uma seita religiosa - que celebra culto debaixo de árvores - morreram atingidos por raios em Mossurize.

A província de Manica vem registando chuvas e ventos fortes e trovoadas desde sábado, afetando os distritos de Guro, Tambara, Macossa, Barue, Manica, Gondola, Sussundenga, Machaze, Mossurize e cidade de Chimoio, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, que considera as regiões como "áreas de risco".

Entre outubro e abril, Moçambique é ciclicamente atingido por cheias, fenómeno justificado pela sua localização geográfica, sujeita à passagem de tempestades e, ao mesmo tempo, a jusante da maioria das bacias hidrográficas da África Austral.

Dados avançados pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) na semana passada indicam que, desde outubro até à primeira semana de dezembro, as autoridades moçambicanas tinham registado sete mortes devido ao mau tempo em Moçambique.

As vítimas são oriundas das províncias de Manica e Tete, no centro do país, e Niassa, no norte, e as causas estão também relacionadas com descargas atmosféricas, além de afogamento.

No total, segundo o INGC, durante a época chuvosa que começou em outubro em Moçambique, cerca de 543 casas foram parcialmente destruídas, afetando cerca de 2 mil pessoas.

O governo moçambicano anunciou um montante de 206 milhões de meticais (2,9 milhões de euros) para o plano de contingência da época chuvosa 2018/2019.

Na última época chuvosa, pelo menos 61 pessoas morreram devido a calamidades em Moçambique e outras 152.246 foram afetadas, tendo sido as províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia as mais afetadas, segundo dados oficiais.