Pelo menos duas pessoa morreram, esta sexta-feira, na fronteira do Brasil com a Venezuela depois dos militares abrirem fogo contra civis quando um grupo de indígenas que tentava manter aberta uma parte da fronteira com o Brasil, denunciou o deputado da oposição Américo de Grazia.

"Rolando García, indígena pemón, é a segunda vítima fatal da operação criminosa do general José Montoya", escreveu o deputado no Twitter, acrescentando que há ainda três indígenas internados no Hospital de Pacaraima com ferimentos graves.

 

Segundo os dados do deputado, há pelo menos 15 feridos por disparos, três deles em estado grave, e todas as vítimas são indígenas.

A primeira vítima mortal foi identificada pelo deputado Ángel Medina Devis como Zorayda Rodriguez, de 42 anos, uma vendedora ambulante que pertencia à comunidade indígena.

Na quinta-feira, Nicolas Maduro ordenou o encerramento das passagens de fronteira da Venezuela com o Brasil e vários venezuelanos estão a entrar no Brasil por Roraima, nomeadamente para comprar mantimentos, para fazer face à escassez no país.

"Decidi (que) no sul da Venezuela (...) a partir das 20:00 de hoje (00:00 de sexta-feira em Lisboa) (...) fica encerrada total e absolutamente, até nova ordem, a fronteira terrestre com o Brasil”, anunciou Maduro numa reunião com militares no forte Tiuna de Caracas, o maior quartel do país.

Numa mensagem na rede social Twitter, justificou a decisão como "ações para proteger a paz nacional".

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou mais de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.