A Rússia está a estudar o envio de reclusos para operações de despoluição do Ártico, região afetada por vários acidentes industriais, disse esta sexta-feira o diretor dos serviços penitenciários russos (FSIN).  

O FSIN estuda a possibilidade mobilizar condenados para limparem a poluição de zonas do território do Ártico", disse Alexandre Kalachnikov durante uma reunião com altos responsáveis dos serviços penitenciários, noticia a France-Presse.

O responsável pediu a representantes territoriais do FSIN "para trabalharem nessa direção", especificando que a administração de Norilsk, cidade industrial muito poluída pelas atividades mineiras, tomou boa nota do acordo.

A região de Norilsk, onde se desenvolvem atividades do gigante mineiro Norilsk Nickel, foi afetada no ano passado por uma catástrofe ecológica após a fuga de 21.000 toneladas de carburante para os cursos de água, suscitando uma "maré vermelha" visível do espaço.

Em dezembro, as autoridades já tinham abordado a possibilidade de recorrer a reclusos para operações de limpeza durante uma reunião sobre assuntos do Ártico que decorreu em São Petersburgo.

Elena Korobkova, responsável do FSIN, falou nomeadamente da utilização de "construções móveis" para abrigar os detidos nas zonas mais remotas. 

As organizações que limpam as zonas árticas são instadas a cooperar de forma mútua e benéfica com o FSIN para 'atrair' presidiários para esses trabalhos", disse Korobkova em declarações publicadas no portal da reunião de dezembro.

Os responsáveis do FSNI não fizeram comentários a eventuais "incentivos" aos presos como redução de pena ou a um "aumento dos salários" que são normalmente pagos aos condenados que cumprem pena em colónias penitenciárias.

As medidas, se forem aplicadas podem assemelhar-se aos Gulag da época de Estaline onde os condenados eram escravizados em trabalhos gigantescos como a construção do canal do Mar Branco (1931-1933) no noroeste da Rússia e que fez centenas de milhares de mortos.

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