Um imã de Paris, conhecido por promover o diálogo entre as comunidades muçulmanas e judaicas, manifestou o seu apoio à proibição, em França, do uso da burqa em espaços públicos.

A posição de Hassen Chalghoumi surge em contracorrente em relação à da maioria dos líderes muçulmanos no país, que têm apelado aos deputados para votarem contra a implementação desta proibição.

De acordo com a Reuters, uma comissão parlamentar gaulesa, encarregada de estudar este dossier, deve apresentar na próxima terça-feira uma série de recomendações sobre a matéria, que tem sido também objecto de discussão na opinião pública francesa.

Para Chalghoumi, que trabalha numa mesquita num subúrbio a norte de Paris, as mulheres que queiram usar burqa - uma veste que cobre a totalidade do corpo da mulher, com excepção dos olhos - deverão mudar-se para a Arábia Saudita ou para qualquer outro país islâmico, onde esta é uma tradição exista.

«Sim, estou a favor de uma proibição legal da burqa, que não tem lugar em França, um país onde as mulheres têm direito de votar desde 1945», sublinhou o imã, em declarações ao jornal «Le Parisien».

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, já manifestou várias vezes o seu repúdio em relação ao uso da burqa, considerando que se trata de uma afronta à dignidade das mulheres.

Em França vivem cerca de cinco milhões de muçulmanos. Estima-se que menos de duas mil mulheres usem burqa.
Redação / HB