Um homem, com 38 anos, foi detido pela Polícia Metropolitana (Metropolitan Police) de Londres, por suspeita de estar ligado à morte de Sabina Nessa, uma jovem professora, de 28 anos, assassinada na passada sexta-feira, avança a BBC. No entanto, as autoridades divulgaram imagens de câmaras de videovigilância, e pediram ajuda à população para identificar outro homem, que pode estar relacionado com o caso.

O corpo de Sabina Nessa foi encontrado sábado por um popular no Parque Cator, em Kidbrooke, perto de um caminho. As autoridades acreditam que a jovem professora foi atacada pouco tempo depois de sair de casa, na rua de Astell, por volta das 20:30, sexta-feira. Sabina Nessa ia ter com um amigo a um bar, o The Depot. Era um percurso de 5 minutos, através do Parque Cator.

Nas imagens agora divulgadas, pode ser vista uma figura masculina, perto da Praça de Pegler e um carro prateado que o mesmo homem terá utilizado.

O suspeito que, atualmente, se encontra em custódia policial foi detido numa morada em Lewisham. Ainda segundo as autoridades a autopsia ao corpo da professora foi "inconclusiva".

Recorde-se que um homem de 40 anos já tinha sido detido, por suspeita de ligação ao crime, um dia após o corpo da jovem ser encontrado, mas acabou por ser colocado em liberdade. 

Em relação às imagens agora divulgadas, o Inspetor Chefe de Departamento Neil Johnn deixou um apelo: “Gostaríamos de pedir a todos – em especial aos que vivem em Kidbrooke e na área mais ampla de Lewisham e Greenwich - para olhar com atenção para estas imagens e perceber se consegue identificar este homem ou se o viu nos últimos dias”.

“Qualquer informação sobre a sua identidade ou paradeiro pode ser vital para a nossa investigação. Por isso, pedimos mesmo que partilhem esta imagem com o maior número de pessoas possível”, acrescentou.

A família de Sabina Nessa está “devastada” com a morte da jovem. O seu primo, Zubel Ahmed, descreveu a jovem, em declarações à BBC como “a mais bondosa e doce rapariga que alguém podia conhecer”. “O coração de Sabina era como ouro, nunca disse uma má palavra sobre ninguém. A irmã vai sentir muito a sua falta”, acrescentou.

Sabina Nessa dava aulas na escola primária emt Rushey Green, em Lewisham. A responsável da escola, Lisa Williams, descreve-a como “uma professora brilhante, atenciosa e completamente dedicada aos seus alunos”.

Foi, entretanto, marcada uma vigília, para esta sexta-feira à noite, em memória de Sabina Nessa por uma organização comunitária de Kidbrooke. Mas o evento vai contar com o apoio da organização Reclaim the Streets, que organizarou uma vigília após o homicídio de Sarah Everard, de 33 anos, em Clapham Common e que acabou com dezenas de detenções.

A polícia fez também saber que estará presente no evento.

Aumento dos crimes contra as mulheres

A morte de mais uma jovem voltou a chocar o Reino Unido e a aumentar a indignação perante o aumento da violência contra as mulheres.

A morte de Sabina Nessa acontece seis meses após a de Sarah Everard. Recorde-se o rapto, violação e homicídio desta jovem acabou por ser confessado por um policia.

Dados oficiais revelam que entre março de 2019 e 2020 cerca de 200 mulheres foram mortas no Reino Unido. Segundo a Femicide Census, uma organização que recolhe dados sobre violência contra mulheres, cerca de uma mulher é morta, por alguém do sexo masculino, a casa três dias. A mesma organização acusa o Governo de pouco fazer para mudar a situação.

Mandu Reid, líder do Partido para a Igualdade Feminina, usou o Twitter para abordar o tema, considerando que nada mudou desde a morte de Sarah Everard:

A cobertura dos meios de comunicação social da morte de outras jovens no país também tem somado críticas, por parte de vários ativistas, já que muitos casos têm pouca atenção. Um dos desses casos foi a morte de uma jovem estudante, de 21 anos, Blessing Olusegun, cujo corpo foi encontrado numa praia em setembro de 2020.

Em declarações à CNN, um representante do concelho de Greenwich, avançou que desde a morte de Sabina, já foram entregues 200 alarmes pessoais a mulheres e residentes vulneráveis. É um pequeno aparelho que pode ser colocado num porta-chave ou pendurado numa mala e que emite um som muito alto.

Até Sadiq Khan, Mayor de Londres, já falou sobre este tema num programa de televisão e considerou que já é altura de “transformar a misoginia num crime de ódio”.
 

Patrícia Pires