As caixas automáticas, pontos de pagamento e cartões dos bancos moçambicanos vão voltar a funcionar a partir de hoje, depois do apagão registado desde sexta-feira, anunciou o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário.

"Encontrou-se uma solução imediata" e "a situação está normalizada", referiu o governante, durante uma intervenção a abrir a sessão de perguntas ao Governo, marcada para hoje, no plenário da Assembleia da República, em Maputo.

Desde as primeiras horas do dia de hoje começaram a entrar em funcionamento as ATM e POS [pontos de venda] ligadas à rede Simo", Sociedade Interbancária de Moçambique, disse, sem esclarecer qual a solução encontrada.

O primeiro-ministro apelou aos intervenientes no setor bancário para que encontrem "soluções sustentáveis e duradouras que garantam a estabilidade e fiabilidade" da banca eletrónica moçambicana.

"O sistema financeiro está seguro e bem capitalizado", concluiu.

Numa ronda por algumas caixas automáticas da capital moçambicana, a Lusa verificou que, apesar de já estarem ligadas e aceitarem cartões, ainda não era possível fazer levantamentos.

A empresa portuguesa Bizfirst, gestora informática da rede, desligou o sistema na sexta-feira após dois anos sem conseguir que a sociedade Simo, detida maioritariamente pelo Banco de Moçambique, assinasse contratos ou pagasse pelo serviço.

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, admitiu na segunda-feira, no parlamento, desentendimentos com a empresa, mas acusou-a de optar por uma "solução nuclear", comparando as ações da Bizfirst a "ataques cibernéticos".

Zandamela disse ainda ter-se oposto a uma proposta da banca de pagar de imediato a dívida à empresa, sem revelar o valor, para que o serviço fosse rapidamente reativado, alegando que a Simo nunca mais poderia trabalhar com uma firma que tinha tomado a decisão de desligar o sistema por completo.

Nenhuma das entidades envolvidas no processo esclareceu ainda como foi normalizada a situação.