Três refugiados afegãos vão processar três irmãs norte-americanas, depois de terem sido acusados de violação.

O caso aconteceu em Múrcia, Espanha, na noite de fim de ano.

A Polícia Nacional deteve, então, a 2 de janeiro, três afegãos de 20, 21 e 25 anos, por alegadamente terem violado três irmãs norte-americanas, naturais do Ohio. Os três migrantes acabariam por ser libertados, dois dias depois, após prestarem declarações perante um juiz.

O advogado dos jovens afegãos (dois tinham recebido recentemente o estatuto de refugiado) anunciou, na quinta-feira, que vai pedir o arquivamento do caso e processar as alegadas vítimas, de 18, 20 e 23 anos, por testemunho falso.

Durante a investigação, as autoridades espanholas descobriram que as irmãs subscreveram um seguro, no valor de 50 mil euros, que seria pago em caso de agressão sexual.

Os investigadores recolheram também testemunhos de vizinhos, que disseram ter ouvido apenas “risos das queixosas” ou então que não ouviram nada.

De acordo com documentos da investigação a que o El Mundo teve acesso, o relato das irmãs, que deixaram Espanha sem avisar as autoridades, apresenta “lacunas e contradições”.

Segundo a descrição das jovens, as agressões começaram num bar da cidade, onde foram agarradas e levadas pelo braço para uma zona sem iluminação. Ali, contaram, foram beijadas à força e uma delas foi tocada nas partes íntimas. Depois, abandonaram juntos o espaço e a irmã mais nova, que residia em Múrcia, onde estudava, foi para o seu apartamento com um dos afegãos. As outras duas, que estavam de visita à irmã mais nova, foram para casa dos migrantes.

O relato prossegue com mais incoerências, escreve o diário espanhol. Depois de alegadamente terem sido violadas em casas diferentes, os seis estiveram juntos na casa da irmã mais nova, sem que, em momento algum, tivessem pedido ajuda, fosse aos vizinhos ou por telefone.

De acordo com o ministério público espanhol, as três vítimas foram depois acompanhadas à estação de autocarros pelos três agressores, e também ali não pediram ajuda.

As imagens de videovigilância da estação mostram os seis jovens a despedir-se “cordialmente”, com “um beijo e um abraço”, ainda que uma das irmãs tenha dito que tinha sido forçada a beijar um dos afegãos.

A favor das irmãs norte-americanas estão, porém, as perícias forenses, que encontraram lesões compatíveis com agressões sexuais em duas delas.

Que as três irmãs sofram uma agressão sexual, entrem em casa com os agressores sem que haja registo de violência ou de entrada forçada, que nada digam entre elas, que não fujam ou não peçam o mínimo auxílio e que, depois, se deixem acompanhar pelos agressores até se despedirem amigavelmente na estação, carece de uma maior explicação por parte das vítimas que não se pôde obter devido à ausência voluntária das mesmas; sem esquecer a presunção de inocência em toda a investigação”, argumenta o ministério público.

/ CM