O jornalista norte-americano Danny Fenster, que foi libertado após ter passado seis meses numa prisão em Myanmar, chegou esta terça-feira aos Estados Unidos para o reencontro com a sua família.

Fenster - que foi condenado na semana passada a 11 anos de trabalhos forçados - foi entregue na segunda-feira ao ex-diplomata norte-americano Bill Richardson, que ajudou a negociar a libertação, mas que assegurou não ter sido contratado pelo Governo dos EUA para trazer o jornalista de regresso ao seu país.

Danny Fenster é um dos mais de 100 jornalistas, funcionários dos ‘media’ ou editores que foram detidos desde que a junta militar derrubou o Governo eleito Aung San Suu Kyi, em fevereiro.

Sonhei com este momento durante muito tempo”, disse Fenster, após ter aterrado em Nova Iorque, onde foi recebido pela mãe, pai e irmão.

Na segunda-feira, quando fez escala no Qatar, Fenster disse que estava fisicamente bem e que não havia passado fome nem tinha sido espancado enquanto esteve sob custódia.

Fenster, editor-chefe da revista ‘online’ Frontier Myanmar, foi condenado na sexta-feira por divulgar informações falsas ou exageradas, entrar em contacto com organizações ilegais e violar os regulamentos do visto.

Dias antes da sua condenação, o jornalista soube que tinha sido acusado de outras violações que o colocaram em risco de prisão perpétua.

É ótimo levar Danny de volta para casa. Vale a pena o esforço, vale a pena tudo o que fizemos”, disse Richardson, ex-governador do Novo México e ex-embaixador nas Nações Unidas que ajudou a negociar a libertação do jornalista.

As alegações contra Fenster nunca foram claras, mas grande parte do caso dos procuradores parecia depender da prova de que ele estava ao serviço de um outro canal de notícias ‘online’, que foi encerrado este ano, durante um processo em que junta militar de Myanmar reprimiu os ´media’.

Fenster trabalhou para um jornal no estado de Louisiana antes de se mudar para o sudeste da Ásia, por se interessar pela situação difícil das pessoas de minoria muçulmana rohingya, após a fuga de centenas delas de Myanmar, em 2017.

/ BMA