O Líbano e Israel vão negociar sobre as suas fronteiras marítimas e terrestres em disputa, sob mediação da ONU, anunciou esta quinta-feira o presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, uma informação já confirmada pelo governo israelita.

“Em relação à questão das fronteiras marítimas, as reuniões decorrerão de modo contínuo nas instalações das Nações Unidas em Naqura”, sul do Líbano, “sob patrocínio do gabinete do coordenador especial da ONU para o Líbano”, disse Berri numa conferência de imprensa.

Segundo um comunicado do gabinete do ministro da Energia israelita, Yuval Steinitz, as “discussões diretas” realizar-se-ão após a festa judaica de Sucot, ou dos Tabernáculos, que este ano termina a 10 de outubro.

As negociações entre os dois países “têm por objetivo ajudar no desenvolvimento dos recursos naturais para todos os povos da região”, adianta o comunicado.

Em 2018, o Líbano assinou um primeiro contrato de prospeção de petróleo e gás nas suas águas territoriais, nomeadamente numa zona disputada por Israel.

Berri disse ainda que as duas partes pediram aos Estados Unidos para “desempenhar o papel de mediador e facilitador da delimitação das fronteiras marítimas”, o que foi aceite por Washington.

De acordo com Steinitz, trata-se da primeira vez em 30 anos que vão ocorrer negociações civis entre Israel e o Líbano, após dois anos de contactos indiretos através da administração norte-americana.

Os dois países vizinhos continuam tecnicamente em estado de guerra e uma força de paz da ONU vigia a fronteira no sul do Líbano e assegura a aplicação da resolução 1701 do Conselho de Segurança, aprovada após a guerra de 2006 entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah, para prevenir um novo conflito.

/ RL