Continua sem rumo a tragédia nas águas do Mediterrâneo. A agência para os refugiados das Nações Unidas dá conta que perto de 250 pessoas estão desaparecidas, provavelmente afogadas, na sequência dos naufrágios de dois barcos que largaram da costa da Líbia, no norte de África.

Domingo, um barco afundou-se e 163 pessoas estão desaparecidas. De acordo com as Nações Unidas, uma mulher e seis homens foram resgatados pela guarda costeira da Líbia.

Um outro naufrágio de um barco de borracha, com 132 pessoas a bordo, é igualmente reportado. Há 82 pessoas desaparecidas, já que cerca de 50 foram salvas e levadas para Pozzallo, na ilha italiana da Sicília.

Sinais de tortura

A morte por afogamento de 193 pessoas que procuravam asilo na Europa é avançada pelo porta-voz da organização para a imigração das Nações Unidas.

Flavio di Giacomo usou a rede Twitter para dar conta que, além das mortes registadas no fim de semana, alguns sobreviventes resgatados mostram sinais de tortura.

O Crescente Vermelho - organização semelhante à Cruz Vermelha, que opera em países muçulmanos - revelou ter recolhido 11 corpos de refugiados, na praia da cidade líbia de Zawiya.

Todos os corpos são de mulheres e há um de uma criança com menos de um ano de idade", referiu um porta-voz da organização, citado pela cadeia de televisão AlJazeera.

Pular a cerca

Esta terça-feira, cerca de 300 pessoas de países do norte de África tentaram passar a rede de arame farpado com seis metros de altura que divide Marrocos do território espanhol de Melilha.

Uma centena terá mesmo conseguido passar e entrar assim no enclave espanhol, território juridicamente integrante da União Europeia.

A invasão de refugiados terá ocorrido cerca das 5:00 da manhã. Segundo a agência noticiosa Reuters, três polícias espanhóis ficaram feridos e tiveram de receber tratamento médico, após terem sido apedrejados pelos migrantes que pretendiam passar a cerca.