Nadia Begum era gerente de uma filial do banco britânico Lloyds, em Oxford, no Reino Unido, quando foi despedida por ler a correspondência de um dos seus clientes. Ainda que com autorização e na presença do mesmo. 

Este cliente chama-se Clifford Weedon e tem 86 anos. Dada a idade avançada e às patologias que foi ganhando ao nível da visão, pediu a Nadia, com quem tinha uma grande confiança e até amizade, que o ajudasse com alguma da papelada. 

No entanto, assim que o bando descobriu, Nadia foi despedida. O argumento? Tinha ido "além dos serviços de atendimento ao cliente" e a decisão tinha como objetivo garantir que os clientes eram protegidos pelo "código de responsabilidade"

Weedon disse à BBC que a gerente foi "uma dádiva de Deus" e que qualquer sugestão de abuso ou aproveitamento era "absolutamente ridícula", tendo ainda classificado o despedimento como uma decisão "horrenda". 

Ela é um anjo disfarçado (...) Nunca conheci ninguém como ela." 

O Lloyds decidiu ainda abrir uma investigação interna, mas não descobriu nenhuma atividade ilegal. 

Entretanto, Nadia arranjou um outro emprego, como diretora na fornecedora de eletricidade e gás Octopus Energy, onde foi "colocada num pedestral" pela atitude nobre que teve com Weedon. Mas quando tudo aconteceu, ficou sem chão.

Eu pensava que a minha carreira tinha acabado. Como é que ia arranjar outro trabalho? (...) Eu ia casar-me, deixei de comer durante uns tempos, estava sempre stressada", contou à BBC. 

O presidente-executivo da Octopus Energy, Greg Jackson, mal conheceu a história de Nadia "soube imediatamente que precisávamos de a contratar".

Um porta-voz do Lloyds Banking Group escusou-se a comentar, dizendo que o caso vai avançar para tribunal para o ano e que, por isso, não era apropriado fazer qualquer esclarecimento adicional.

Clifford Weedon e Nadia Begum continuam a manter a relação de amizade que sempre tiveram. 

Cláudia Évora