Nassima al-Sada foi uma de muitas mulheres detidas em 2018 pelas autoridades da Arábia Saudita. A razão? Estavam a lutar pelos direitos das mulheres, como poder conduzir, por exemplo.

Presa na cidade de Dammam, a mulher tem sido constantemente impedida de ver os filhos.

Tudo começou quando a jornalista moveu um processo judicial que pedia que fosse dada autorização às mulheres para votarem. Entre outros direitos, Nassima reivindicava a possibilidade de conduzir e o fim dos tutores masculinos, uma lei que dizia que todas as mulheres deviam ter alguém responsável por elas, tipicamente o marido, o pai, irmão ou até o filho.

Desde então, várias destas lutas foram sendo parcialmente ganhas. Ainda que com algumas restrições, as mulheres já podem conduzir na Arábia Saudita, e as que forem maiores de 21 anos deixam de precisar de um tutor.

A Nassima dedicou a vida a fazer campanha pelos direitos humanos, incluindo os direitos das mulheres e minorias na Arábia Saudita. Arriscou a liberdade para exigir liberdade e igualdade para todos", escreve a Amnistia Internacional, que tem acompanhado o caso desde o início, e lançou uma petição pela libertação da mulher.

Desde que está presa, Nassima passou um ano na solitária, e tem sido constantemente impedida de ver os seus filhos ou até o advogado.

Imaginem o que será para uma mãe não ver os filhos há mais de dois anos. Nassima está presa e o seu 'crime' foi lutar pelos direitos das mulheres na Arábia Saudita, como o direito a conduzirem. Por exigir liberdade para as mulheres, perdeu a sua e os filhos ficaram longe de mãe. É injusto. Agora é a nossa vez de lutarmos por ela e por esta família. Assinem a petição!", pede a Amnistia Internacional.

Esta mulher não é caso único, e muitas outras ativistas foram presos por motivos semelhantes, mesmo depois de o governo saudita ter começado a aligeirar as regras (pelo menos no papel).

Em fevereiro, Loujain al-Hathloul, uma das ativistas que fez campanha pelo direito das mulheres a conduzir, foi libertada, um que abriu uma porta de esperança para o caso de Nassima, que desde então não evoluiu.

António Guimarães