Donald Tusk e Donald Trump são nomes parecidos, mas não confundíveis. Um é presidente do Conselho Europeu, o outro presidente dos Estados Unidos e estiveram os dois reunidos, hoje, antes da cimeira da NATO (estreia para o líder norte-americano), em Bruxelas. São várias as divergências de pensamento entre os dois, admitiu o europeu, sobretudo em matéria como o clima, comércio e as relações com a Rússia.

Apesar disso, Tusk preferiu constatar os pontos de concordância, numa curta declaração aos jornalistas, no final do encontro: “Durante a minha reunião com o presidente Trump discutimos política externa, segurança, clima e relações comerciais. Sinto que estivemos de acordo em muitas áreas, acima de tudo no combate ao terrorismo, e estou certo de que não tenho que explicar porquê. Mas alguns assuntos mantêm-se em aberto, como o clima e o comércio”.

E não estou 100% seguro de que nós possamos dizer hoje – e por ‘nós’ quero dizer o senhor presidente (dos EUA) e eu próprio - que tenhamos uma posição comum, uma opinião comum sobre a Rússia, embora, no que diga respeito ao conflito na Ucrânia, pareça que estamos na mesma linha”.

Recorde-se que mal tomou posse, ao nível de acordos comerciais, o presidente não perdeu tempo. Mesmo em relação àqueles que ainda não estavam no terreno, como o Acordo Transpacífico. Trump decidiu rasgá-lo.  A sua equipa entende, também, que a Alemanha está a utilizar um euro, "grosseiramente subvalorizado", para "explorar" os EUA e seus parceiros da União Europeia.

Relativamente ao clima, o presidente norte-americano já ameaçou desvincular os EUA do Acordo de Paris, um pacto em vigor, assinado por 195 países que vinculam um esforço para combater as alterações climáticas e reduzir a produção de gases com efeito de estufa a partir de 2020.

Quanto à Rússia, a proximidade de Trump e Putin tem sido muito questionada e há algumas polémicas que rebentaram, nomeadamente quanto à alegada passagem de informações secretas.

Pela primeira vez numa cimeira da NATO, Trump mudou de ideias em relação à organização. Se na campanha eleitoral, disse que era "obsoleta", ultimamente tem-se mostrado mais conciliador relativamente à mesma.

Planos nacionais sobre aumento de despesas

O secretário-geral da NATO afirmou que os Aliados vão acordar na cimeira, em Bruxelas, planos nacionais que detalhem de que modo vão cumprir os compromissos assumidos a nível de partilha de encargos no seio da Aliança.

À chegada ao novo quartel-general da NATO, que acolhe hoje uma reunião de chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg recordou que os dois grandes temas da reunião são o combate ao terrorismo e a partilha de encargos, e, relativamente a este segundo tópico – que os Estados Unidos colocaram na agenda, por considerarem que suportam um fardo demasiado pesado -, indicou que será decidida a apresentação de planos nacionais por parte dos 28 países-membros (em breve 29, com a adesão de Montenegro).

“Vamos acordar planos nacionais, assegurando que mantemos o novo ímpeto na partilha de encargos, investindo na nossa defesa. E isto é importante, porque este é um momento de definição para a nossa segurança e nós precisamos de uma Aliança forte e de um laço transatlântico forte”, declarou.

Stoltenberg insistiu que “todos os aliados têm que implementar o que todos acordaram em 2014”, quando os membros da NATO acordaram “travar os cortes (na Defesa), aumentar gradualmente as despesas, e chegar aos 2% (do Produto Interno Bruto) no espaço de uma década”, até 2024.