Três semanas depois de o braço de Netanyahu ter servido de início simbólico ao processo de vacinação de Israel, o país está na frente da corrida pela imunização de grupo, tendo já vacinado cerca de 20% da sua população.

As razões por trás deste factor devem-se a variáveis como a rapidez e a chegada a acordos com farmacêuticas.

Netanyahu revelou no dia 7 de janeiro que Israel tinha fechado um acordo com a Pfizer para obter 10 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus, incluindo uma promessa de entregas de 400 a 700 mil doses todas as semanas.

Sob este acordo, Israel fornecerá detalhes à Pfizer (bem como à Organização Mundial da Saúde) sobre a idade, sexo e histórico médico dos vacinados, bem como os efeitos colaterais e a eficácia. Nenhuma informação de identificação será fornecida, ao abrigo das leis de privacidade no país.

Dez milhões de doses são uma gota no oceano para a Pfizer, que se comprometeu a produzir 1,3 mil milhões de vacinas em 2021 - e, provavelmente, até produzirá mais.

Depois de a aprovação regulatória israelita ter chegado em dezembro - antes da UE - o país registava mais de 495 mil casos de covid-19 e 3.689 mortes desde o início da pandemia - números alarmantes para uma população de 9 milhões de habitantes.

Com o acordo, a Pfizer tornou Israel num estudo de caso de uma campanha de vacinação rápida e eficiente. Se for bem-sucedida, a estratégia da farmacêutica pode impulsionar a marca mundialmente.

Nós convencemo-los de que se nos derem a vacina primeiro, saberemos exatamente como administrá-la no menor tempo possível - e foi exatamente isso o que aconteceu”, disse o ministro da Saúde de Israel, Yuli Edelstein, ao jornal POLITICO. 

 

Estávamos preparados com antecedência, assinámos os acordos cedo e dissemos aos farmacêuticos que veriam os resultados brevemente. É uma situação em que vencem os dois lados" .

Com mais de 150 mil pessoas vacinadas em alguns dias, o ministro sublinha a confiança no plano de vacinação: “Continuamos a liderar em todo o mundo”.

Ainda assim, as autoridades de saúde não estão a adiantar o número exato de doses que Israel garantiu ou quanto pagou por elas, referindo apenas que o país assinou acordos secretos com os fabricantes quando a campanha de vacinação começou.

No dia 5 de janeiro, as autoridades divulgaram oficialmente que Israel pagou 30 dólares por pessoa, o equivalente a 25 euros por cada habitante. Um valor que é mais do dobro do preço listado pela Bélgica, por exemplo, que revelou acidentalmente num tweet a sua lista de preços.

Por outro lado, uma emissora pública de Israel coloca o preço por vacina mais alto: 47 dólares por pessoa - cerca de 39 euros.

Netanyahu - que está em campanha para ser reeleito em março - também mencionou várias vezes a sua relação de proximidade com os CEOs da Pfizer e da Moderna, sugerindo que estes contatos ajudaram o país a garantir milhões de doses. 

Falo com eles a toda a hora", confessou Netanyahu, acrescentando que o CEO da Pfizer, Albert Bourla é descendente de uma família judaica de Thessaloniki e "um grande amigo" de Israel.

Israel tem um sistema de saúde público obrigatório ligado a uma rede digital nacional. As organizações de manutenção de saúde mantêm registos digitais de todos os pacientes, permitindo que qualquer computador autorizado extraia os dados médicos das pessoas - incluindo hospitalizações anteriores, medicamentos prescritos e vacinas.

Ademais, os especialistas atribuem a velocidade da aplicação das doses da vacina a uma concorrência entre as quatro grandes mútuas com o objetivo de atingir o maior volume de vacinação. Estes subsistemas organizados de saúde, privados, mas com finalidade pública, têm a função de gerir os pacientes em Israel. 

Uma operação em tal escala não poderia ter acontecido dentro de um sistema de saúde privado", reconhece uma enfermeira do hospital Ichilov em Tel Aviv.

Nunca vi tantos profissionais de saúde a oferecer o seu tempo livre para uma causa maior como esta", explicou a profissional de saúde, garantindo que já vacinou centenas de israelitas. O sentido de solidariedade social e o sentimento de esforço conjunto contribuíram largamente para a velocidade da campanha de vacinação de Israel.

Até ao momento, o plano de vacinação do governo de Tel Aviv está focado na vacinação das pessoas com mais de 60 anos, profissionais de saúde e pessoas com comorbilidades associadas. A segunda fase será dedicada a pessoas com mais de 55 anos com doenças subjacentes. Ponto de situação: mais de 72% das pessoas com 60 ou mais anos já foram vacinadas.

Comparativamente, em Portugal, a campanha de vacinação contra a covid-19 iniciou-se em 27 de dezembro nos hospitais, abrangendo os profissionais de saúde, e já se estende aos lares de idosos.

A primeira fase do plano de vacinação, até final de março, abrange também profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos.

Nesta fase serão igualmente vacinadas, a partir de fevereiro, pessoas de idade igual ou superior a 50 anos com pelo menos uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração.

O Ministério da Saúde garantiu esta quinta-feira que Portugal terá todas as vacinas necessárias para cumprir o plano de vacinação estabelecido, tendo já assegurado mais de 31 milhões de doses, suficientes para vacinar mais de 18 milhões de pessoas.