O Presidente da Venezuela pediu na terça-feira aos emigrantes para regressarem ao país, para não abandonarem "a família e a pátria".

"Todos os venezuelanos que foram para o estrangeiro, por uma falsa ilusão, ou uma esperança de melhorar, têm as minhas mãos [estendidas] para que regressem. A Venezuela é única. Há que amar a Venezuela. Em momentos de dificuldades, não abandonamos a família nem a nossa pátria", declarou Nicolás Maduro.

O chefe de Estado venezuelano discursava na inauguração do complexo universitário Martin Luther King, no estado de Lara, a 270 quilómetros a sudoeste de Caracas, cerimónia transmitida pela televisão estatal venezuelana.

"Em momentos de dificuldades é preciso trabalhar e trabalhar, pela prosperidade do melhor país do mundo que se chama Venezuela", disse.

Maduro acrescentou que muitos emigrantes venezuelanos, "convencidos pela propaganda contra o país", estão arrependidos.

"Não sabes quanta gente está a lavar casas de banho em Miami [nos Estados Unidos]. Tu irias lavar casas de banho a Miami? Eu jamais deixaria a minha pátria", sublinhou.

"Esta é a minha mensagem, dos venezuelanos que trabalham e que lutam aqui, em terra venezuelana, aos venezuelanos que, lamentavelmente, na minha opinião, tomaram o caminho de ir [embora]", afirmou.

Dados recentes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), dão conta de que mais de quatro milhões de venezuelanos emigraram, para fugir à crise político-económica que afeta o país.

17 detidos por ataque a candidato da oposição

Dezassete pessoas foram detidas na Venezuela por terem participado num ataque à caravana do candidato presidencial da oposição Henry Falcón, em Cátia (oeste), Caracas, anunciou o Presidente da Venezuela.

Durante o ataque, no último sábado, perpetrado por apoiantes do Governo venezuelano, ficaram feridas várias pessoas que acompanhavam o candidato, entre eles o chefe de campanha, coronel Teodoro Campos, que se encontra numa unidade de cuidados intensivos devido a uma contusão craniana.

"Quero aproveitar para condenar a agressão contra a caravana do candidato Henry Falcón. Desde que me inteirei, ordenei a realização de uma investigação e posso dizer que há 17 detidos", declarou Nicolás Maduro.

O Presidente falava na inauguração do complexo universitário Martin Luther King, no estado de Lara, a 270 quilómetros a sudoeste de Caracas, numa cerimónia transmitida pela televisão estatal venezuelana.

"Todos os que se atreverem a agredir verbal e fisicamente a caravana do candidato presidencial Henry Falcón vão ser castigados com prisão", frisou.

Nicolás Maduro pediu aos venezuelanos "uma campanha eleitoral de alegria, de baile, de música, de ideias, pedagógica, em paz".

"Se virem qualquer candidato presidencial saúdem-no da minha parte. Nós sabemos quem será eleito Presidente da República Bolivariana da Venezuela e devemos garantir em paz", disse.

Maduro negou que o ataque tenha sido perpetrado realizado por um grupo de motociclistas armados afetos ao regime, conhecido como "coletivo", tal como denunciou a oposição.

A aliança eleitoral de oposição Mesa de Unidade Democrática não participa no processo, por considerar não existirem garantias para eleições justas e transparentes.

A Venezuela prevê realizar, a 20 de maio, eleições presidenciais antecipadas, nas quais Nicolás Maduro espera ser reeleito para um mandato de seis anos.

Outros cinco candidatos apresentaram a candidatura às presidenciais de maio.

Luis Alejandro Ratti, pastor evangélico, que até 2016 fez parte da Frente Bolivariana Hugo Chávez e agora é crítico do regime venezuelano, e Henri Falcón, militar, político e advogado venezuelano, que desde 2008 governa o estado de Lara e representa os partidos opositores Copei, Avançada Progressista e o Movimento ao Socialismo.

Outro candidato é Reinaldo Quijada, crítico de Maduro, mas defensor do "processo revolucionário". Integra o partido Unidade Política Popular 89 (UPP89).

Já Francisco Visconti, militar e líder do partido 27-N, quer resgatar o projeto bolivariano e interveio no falhado golpe de Estado de 27 de novembro de 1992 e do Movimento Quinta República, o partido que em 1998 levou Hugo Chávez ao poder. Faz parte da Frente Ampla Bolivariana.

Por outro lado, Javier Bertucci, empresário e pastor que fundou a Igreja Maranatha e que faz parte da Associação o Evangelho Muda, espera também presidir o país.

/ AM