A discursar no 61.º aniversário da deposição do general Marcos Pérez Jiménez, o atual presidente da Venezuela aprobveitou para "disparar em todas as direções", reagindo aos apoioo internacionais que Juan Gaidó tem vindo a obter, após se ter proclamado presidente interino do país.

À cabeça, Nicolás Maduro anunciou o corte de relações com os Estados Unidos e deu 72 horas aos diplomatas norte-americanos para saírem da Venezuela.

Decidi romper as relações diplomáticas e políticas com o governo imperialista dos Estados Unidos", disse Nicolás Maduro.

 

Ao lado de Maduro, no palácio presidencial de Miraflores, estiveram vários pesos-pesados do "chavismo", casos do vice-presidente Delcy Rodríguez e do presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello.

No discurso em que atacou ainda todos os países latino-americanos que decidiram apoiar Guaidó, casos do Brasil, Colômbia, Peru, Paraguai, Equador, Chile, Costa Rica, Maduro apelou ainda aos juízes e militares para que se unam em torno do seu governo.

Peço que cerrem as fileiras do Estado em defesa da democracia venezuelana. Peço às Forças Armadas a máxima lealdade, máxima união, máxima disciplina".

Já depois do discurso de Maduro, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino veio através da rede Twitter afirmar que as forças armadas "não aceitam um presidente imposto à sombra de obscuros interesses e autoproclamado à margem da lei", numa referência a Guaidó.

Nas ruas da capital, Caracas, e noutras grandes cidades da Venezuela, milhares têm-se manifestado contra e a favor de Maduro, com os oposicionistas a confrontarem-se com a polícia.

"Fim da usurpação"

O anúncio de Maduro foi feito horas após o líder do parlamento, Juan Guaidó, se ter autoproclamado presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

Levantemos a mão: Hoje, 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação [da Presidência da República], um Governo de transição e eleições livres", declarou.

Para Juan Guaidó, "não se trata de fazer nada paralelo", já que tem “o apoio da gente nas ruas".

O engenheiro mecânico de 35 anos tornou-se rapidamente o rosto da oposição venezuelana ao assumir, a 03 de janeiro, a presidência da Assembleia Nacional, única instituição à margem do regime vigente no país.

Nicolás Maduro iniciou a 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela comunidade internacional.

Os Estados Unidos, o Canadá, a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Brasil, a Colômbia, o Peru, o Paraguai, o Equador, o Chile e a Costa Rica também já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

Do lado de Maduro, no palco regional, surgem o México, a Bolívia e Cuba.

Por seu turno, a União Europeia, segundo a agência de notícias France Press, terá apelado a que "se escute as vozes do povo da Venezuela", connvocando "eleições livres".

"Opções em cima da mesa"

Após reconhecerem Guaidó como novo presidente, os Estados Unidos advertiram que “todas as opções estão em cima da mesa” se o chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, responder com violência.

Se Maduro e os seus compinchas decidirem responder com violência, atacar qualquer pessoa da Assembleia Nacional ou outros responsáveis eleitos devidamente, teremos, para adotar, todas as opções em cima da mesa”, disse um alto funcionário da Administração norte-americana por telefone, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O executivo do Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou  que reconhece o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como legítimo “Presidente interino” do país latino-americano, um passo com o qual pretende aumentar a pressão contra o Governo de Maduro.

Apesar da posição de prontidão dos Estados Unidos, o vice-presidente do Brasil - país que reconheceu prontamente o novo presidente interino na Venezuela - descartou hoje a possibilidade de participar numa intervenção armada para retirar Nicolás Maduro do poder, por não ser tradição da política externa do seu país.

O Brasil não participa de intervenção. Não é da nossa política externa intervir nos assuntos internos dos outros países”, declarou Hamilton Mourão à imprensa brasileira, após ter assumido interinamente a Presidência do Brasil devido à viagem de Bolsonaro a Davos, na Suíça, para o Fórum Económico Mundial.

A declaração surgiu após Mourão ter sido confrontado com as palavras do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que "todas as opções estão em cima da mesa”, não excluindo assim uma intervenção armada no país latino-americano.

O general ressaltou que os ministros da Defesa do Brasil e da Venezuela têm uma relação institucional, mas negou que o governo brasileiro esteja em contacto com militares venezuelanos.