Dezasseis pessoas morreram em três dias de protestos contra o Governo venezuelano, segundo dados divulgados por duas organizações não governamentais (ONG), citadas pelo El País.

Num comunicado conjunto, as ONG Programa Venezuela de Educação, Ação em diretos Humanos (Provea) e Observatório Venezuelano de Conflituosidade Social (OVCS) dizem que 14 dos assassinatos ocorreram "no contexto de manifestações em Caracas e noutras cidades do país, entre os dias 22 e 23 de janeiro".

"A totalidade destas mortes produziram-se por impacto de bala”, dizem as organizações.

Segundo ambas as ONG, a cidade de Barinas, onde nasceu o ex-líder socialista Hugo Chávez (que presidiu o país entre 1999 e 2013) "acumula o maior registo de pessoas falecidas, com 4 mortos, todas ocorridas durante protestos, depois da convocatória feita pela Assembleia Nacional".

Depois estão os Estados de "Táchira e o Distrito Capital com três motos cada um", "Amazonas e Bolívar com duas mortes confirmadas" e finalmente o Estado de Portuguesa, com uma morte confirmada.

"Treze das vítimas eram do sexo masculino e uma do sexo feminino. As idades das vítimas oscilam entre os 47 e os 49 anos de idade. Em 13 dos casos registados, os assassinados participavam em protestos pacíficos que foram atacados por agentes das forças públicas e/ou agrupações paramilitares", explica.

No comunicado, a Provea "Condena a morte de mais venezuelanos, em protestos, e alerta sobre os graves riscos para os manifestantes, que supõe a aberta atuação de corpos de elites como as Forças de Ação Especial (Faes) e do Comando Nacional Antiextorção e Sequestro (Conas)".

"Estes organismos não possuem competências, equipamento e treino para gerir manifestações com apego aos princípios de uso progressivo e diferenciado da força", explica.

O presidente da assembleia nacional, Juan Guaidó, autoproclamou-se na quarta-feira presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

O engenheiro mecânico de 35 anos tornou-se rapidamente o rosto da oposição venezuelana ao assumir, a 3 de janeiro, a presidência da Assembleia Nacional, única instituição à margem do regime vigente no país.

Nicolás Maduro iniciou a 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela maior parte da comunidade internacional.

Os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e quase toda a América Latina, já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

O México, a Bolívia, Cuba, a Rússia, a China e a Turquia mantêm-se ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente democraticamente eleito da Venezuela.

Por seu lado, a União Europeia defendeu a legitimidade democrática do parlamento venezuelano, sublinhando que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados" e instando à "abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional".

Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, afirmou o seu pleno respeito “à vontade inequívoca” mostrada pelo povo da Venezuela e disse esperar que Nicolas Maduro “compreenda que o seu tempo acabou”.

A Venezuela, país onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes, enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.