Domingo, Nicolás Maduro deu o tiro de partida: até sexta-feira, exército e milicianos venezuelanos vão estar em manobras militares por toda a Venezuela, numa assumida demonstração de força face à oposição interna e à ameaça externa, sobretudo norte-americana, que o presidente não se cansa de referir.

Rússia e China são países convidados da denominada Operação Cívico-Militar do bicentenário do Congresso de Angostura, o segundo parlamento constituinte da Venezuela, criado há 200 anos por Simon Bolívar.

Mobilizados estão também civis, apoiantes do poder de Maduro. Emblematicamente, no início dos exercícios, o presidente recebeu o "primeiro míssil disparado por um miliciano, como testemunho da união cívico-militar".

"O pior dos filhos da pátria"

Duro, como sempre, o número dois de Maduro, Diosdado Cabello, chegou a ameaçar o autoproclamando presidente interino, Juan Guaidó, com a prisão.

Em Barcelona, no leste da Venezuela, Cabello alcunhou Guaidó como "o pior dos filhos da Pátria".

Vamos colocá-lo na cadeia quando a pressão baixar. Temos de lhe colocar as algemas, mas tudo a seu tempo", afirmou Cabello, segundo o jornal espanhol El Mundo.

Diosdado Cabello lidera a assembleia constituinte, criada pelo poder de Maduro, e já anunciou que dissolverá a assembleia nacional, presidida por Guaidó, quando for adequado à revolução.

Por enquanto, a hora para os apoiantes de Maduro é de mostrar a força militar, com a ameaça de derrubar até quaisquer aviões que tentem levar ajuda humanitária à Venezuela, devido ao bloqueio terrestre que se mantém na fronteira com a Colômbia.

Os Estados Unidos disfarçam a guerra com a Venezuela com uma ajuda,  que não é ajuda, nem é humanitária", afirmou Diosdado Cabello.

Petróleo em Moscovo

Com o braço de ferro a manter-se na Venezuela, deixando na fronteira a ajuda humanitária enviada, sobretudo, pelos Estados Unidos, a companhia petrolífera estatal da Vanezuela, PDVSA, terá solicitado aos seus clientes que passem a depositar os pagamentos numa conta aberta recentemente no banco russo Gazprombank.

A informação, avançada pela agência de notícias Reuters, com base num documento interno da petrolífera, dá conta de que as novas contas seriam uma forma de receber o dinheiro, torneando o embargo norte-americano.

A petrolífera estatal venezuelana não comentou. Já o banco russo afirmou apenas que nenhuma nova conta foi aberta pelo poder venezuelano, além das que já existem há vários anos.

Salientamos que nenhuma nova conta foi aberta e o banco não pretende abrir novas contas", disse o estatal russo Gazprombank.