O presidente da Venezuela falou, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, no palácio presidencial de Miraflores, sobre o estado do país e apelou à União Europeia para que dê uma oportunidade de diálogo à Venezuela e que escute a verdade venezuelana.

"A União Europeia está condenada ao fracasso se continua a ouvir e a obedecer à extrema-direita venezuelana. Apenas pedimos à União Europeia que nos ouça. Faremo-nos ouvir pela União Europeia. Idealizaram as relações internacionais com a Venezuela. Não podem perceber o que está a acontecer na Venezuela", afirmou Maduro, dirigindo-se depois diretamente aos membros da União Europeia dizendo: "Vocês não ouvem a verdade da Venezuela, estão surdos perante uma revolução com 20 anos". 

Garantindo estar preparado "para dialogar com quem seja, quando seja e com quem seja", pessoalmente ou através de representantes, Maduro mostrou-se disponível para receber e "estabelecer contacto com qualquer membro" do  Grupo de Contacto Internacional (GCI) para a Venezuela, "apesar de estar em desacordo com a idealização e parcialização que fizeram" no documento.

A declaração de Maduro surge um dia depois de o GCI, na sua primeira reunião, decidir enviar representantes para Caracas para se reunirem com ambas as partes no país, reconhecendo que a crise humanitária “se está a aprofundar”.

O GCI para a Venezuela, reunido quinta-feira em Montevideu, apelou ainda à realização de "eleições presidenciais livres", segundo a declaração divulgada no final dos trabalhos.

O "grupo apela à criação de uma abordagem internacional comum para apoiar uma resolução pacífica, política, democrática e integralmente venezuelana da crise, excluindo o uso da força, através de eleições presidenciais livres, transparentes e credíveis, de acordo com o Constituição venezuelana", lê-se na declaração final assinada por todos os países participantes, com exceção da Bolívia e do México.

Oposição quer "fazer um golpe de Estado"

O presidente da Venezuela disse ainda que está preparado para eleições na Assembleia Constituinte, liderada pela oposição, porque quer ver o povo a votar para esse órgão.

Até porque, defende Maduro, esta oposição venezuelana não pretende eleições.

"Se convocássemos eleições [presidenciais], iam inventar qualquer coisa para não ir. Como aconteceu em 2017. Eles não querem eleições, querem um golpe de Estado. Tipo Pinochet. Eles querem impor à Venezuela um Pinochet".

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, chefe de Estado desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento, no qual a oposição tem maioria, como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos da América.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.