O Governo venezuelano ordenou uma “investigação penal” local para determinar os alegados responsáveis pelo que diz ser “o roubo de ouro venezuelano” que se encontra no Banco Central da Inglaterra.

O anúncio tem lugar depois de o Tribunal Comercial de Londres decidir que é o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, e não o presidente, Nicolás Maduro, quem tem autoridade sobre as reservas de ouro depositadas naquele banco.

O presidente, Nicolás Maduro, solicitou aos órgãos de Justiça o início de uma investigação contra os envolvidos neste ‘roubo’ dos recursos de todos os venezuelanos”, anunciou quinta-feira a vice-presidente da Venezuela.

Em declarações à televisão estatal, Delcy Rodríguez disse que “negar o ouro à Venezuela para lidar com a pandemia [da covid-19] é cometer um crime de extermínio".

Por outro lado, acusou a Inglaterra de pretender aplicar “normas imperiais como se a Venezuela não tivesse um território”.

Delcy Rodríguez acusou a direita, o líder opositor Juan Guaidó e a sua representante em Inglaterra, Vanessa Neumman, de quererem apropriar-se desses recursos.

Disse ainda que Neumman está vinculada com paramilitares colombianos e é uma agente dos EUA.

Segundo o líder opositor, Juan Guaidó, a decisão do Tribunal protege as reservas de ouro “de um saque” da parte do Governo venezuelano.

"Protegemos as reservas de ouro das garras da ditadura. As nossas reservas manter-se-ão como tal e em Inglaterra, para a sua proteção e sua integridade. O ouro está protegido dos saques do regime", escreveu na sua conta na rede social Twitter.

Uma sentença do Tribunal Comercial de Londres, que pertence ao Tribunal Superior de Justiça, emitida quinta-feira reconhece o poder de decisão à administração interina do Banco da Venezuela nomeada pelo presidente da Assembleia Nacional e líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó.

Depois de ouvir as partes, o juiz Nigel Teare concluiu que o Governo do Reino Unido reconheceu "inequivocamente" Guaidó como "Presidente constitucional interino" do país latino-americano e, portanto, são os administradores por ele indicados para o Banco Central da Venezuela quem tem autoridade sobre as reservas.

Em causa estava a decisão sobre se era a administração do Banco Central da Venezuela presidida por Calixto Ortega, nomeado por Maduro, ou o conselho interino, nomeado por Guaidó, quem tem o direito de gerir as reservas de 31 toneladas de lingotes de ouro depositadas no banco central britânico.

A crise na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de presidente interino do país, até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres.

Desde o reconhecimento de Guaidó, como presidente interino pelo Governo britânico, em fevereiro de 2019, que o Banco de Inglaterra recusou sistematicamente a Caracas devolver parte das reservas de ouro que o país sul-americano possui em seu nome.

Em julho de 2019, a Assembleia Nacional designou uma administração temporária para o BCV, mas a decisão foi declarada nula pelo Tribunal Supremo venezuelano.

A Venezuela fez vários pedidos para recuperar o equivalente a mil milhões de dólares (cerca de 991 milhões de euros) de ouro, mas Juan Guaidó escreveu duas vezes ao BoE para rejeitar esses pedidos de Maduro.

Perante as recusas, o Banco Central da Venezuela acabou por levar o Banco da Inglaterra a tribunal, argumentando que precisa desses fundos para combater a pandemia de covid-19.

/ BC