O presidente da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, Diosdado Cabello, informou hoje que oito pessoas morreram e pelo menos duas estão detidas devido a uma tentativa frustrada de invasão marítima, perto de Caracas.

O incidente aconteceu na manhã de sábado, segundo o Governo.

"Oito pessoas morreram e duas foram detidas na operação (...). Uma ação de mercenários, um golpe contra as instituições do nosso país, uma incursão em que a ala direita certamente justificará o que aconteceu", disse Cabello da sede da ANC, convenção constitucional criada pelo presidente Nicolás Maduro, composta apenas por leais ao seu governo, que reclama poder sobre as instituições existentes, nomeadamente o parlamento eleito em 2015.

O também vice-presidente do partido no poder, PSUV, explicou que quando os "mercenários" - que, de acordo com suas declarações, pretendiam invadir a Venezuela através do estado de La Guaira - chegaram às margens dessa região perto da capital do país, houve uma troca de tiros.

"Quando chegaram à costa, houve confrontos e não sabemos se existem pessoas que se afundaram ou nadaram para outro lado, por isso dizemos que até agora há oito mortes", afirmou o responsável, acrescentando que a operação está em andamento.

Sobre os detidos, o vice-presidente do PSUV anunciou que um deles, um venezuelano, reconheceu ter trabalhado com a Agência Antidrogas Americana (DEA), um órgão expulso do país em 2005 e a quem a chamada revolução bolivariana acusa de promover o narcotráfico e golpes de estado na América Latina.

Entre os materiais apreendidos pelos alegados invasores, segundo Cabello, destacam-se veículos "para montar metralhadoras", fuzis de assalto, um documento de identidade peruano e peças de uniforme militar com a bandeira dos Estados Unidos.

O ANC “rejeita veementemente (...) que o governo dos EUA e o governo da Colômbia continuem a tentar minar as fundações das instituições venezuelanas, participando ativamente em golpes de estado (...) e atividades que estão a ser financiadas pelo narcotráfico", afirmou.

O ministro do Interior e da Justiça, Néstor Reverol, já tinha adiantado que um grupo de "mercenários terroristas" provenientes da Colômbia tentou entrar no país e tinham posto em marcha uma "busca completa por terra, mar e ar" para capturar todos os envolvidos.

Oposição acusa o regime de “fabricar” tentativa de invasão marítima

A oposição venezuelana acusou entretanto o Governo do Presidente Nicolás Maduro de “fabricar” a montagem de uma invasão marítima, por alegados “mercenários terroristas” que queriam dar um Golpe de Estado.

Uma montagem fabricada ou um ato criminoso manipulado pela ditadura para continuar a perseguição ao governo interino, à Assembleia Nacional e às forças democráticas”, denunciou o líder opositor e presidente do parlamento, Juan Guaidó.

A denúncia foi feita através de um comunicado em que a oposição diz que “o regime procura desviar a atenção” da situação do país para “um suposto evento repleto de inconsistências, dúvidas e contradições”.

Segundo a oposição, “militares e civis venezuelanos” teriam sido “presumivelmente executados extrajudicialmente pela ditadura e os seus cadáveres usados para criar um ‘falso positivo’ (que parece ser o que não é) nas costas do Estado de Vargas [agora Estado de La Guaira]”.

No comunicado, a oposição explica que, “nas últimas 36 horas, ficou evidenciada a violência generalizada que sustenta o regime” com “o massacre, no centro penitenciário, de Los Llanos, em Guanare, no Estado de Portuguesa, que causou pelo menos 47 mortos e 75 feridos”.

Alerta também para “a guerra entre gangues armados em um dos maiores e mais populosos bairros da América Latina, Petare [leste de Caracas], pelo controle da área, pondo em risco a vida de milhares de inocentes”.

A oposição refere ainda a divulgação de um “vídeo de grupos paramilitares, coletivos, encapuzados e com armas longas no [bairro] 23 de janeiro, controlando esse setor de Caracas e ameaçando quem se opuser à tirania”.

"O regime de Nicolás Maduro e a sua cúpula não podem negar nem ocultar o descontentamento geral das Forças Armadas, uma instituição que também foi vítima de perseguição”, lê-se no comunicado da oposição.

/ BC - atualizada às 23:50