Dezenas de raparigas raptadas há três anos na Nigéria pelo grupo extremista Boko Haram foram libertadas, anunciaram este sábado várias fontes nigerianas.

Posso confirmar que foram libertadas", afirmou à agência France Presse um ministro do governo nigeriano que não quis ser identificado, informação corroborada por fontes das forças de segurança e pelo pai de duas das raparigas.

O número exato de jovens libertadas ainda não é certo, com fontes a referirem pelo menos 80 e outras apenas 62.

O ministro acrescentou que as jovens chegarão no domingo a Maiduguri, capital do estado de Borno, no nordeste do país.

O pai de duas das jovens raptadas, Enoch Mark, afirmou também ter sido informado da libertação por um movimento cívico formado para exigir a libertação das alunas.

No passado mês de abril cumpriram-se três anos sobre o rapto de 276 raparigas pelos terroristas islâmicos do Boko Haram, relatado pelos meios de comunicação do mundo inteiro.

Depois do rapto, 57 conseguiram fugir e, em outubro de 2016, com a intervenção da Cruz Vermelha, os terroristas libertaram 21, altura em que o porta-voz da presidência nigeriana afirmou que a libertação de mais 83 jovens estaria para breve.

As alunas do liceu de Chibok tornaram-se um símbolo de dezenas de milhares de pessoas ainda retidas pelo Boko Haram, que usa os raptos em massa para recrutar extremistas.

 

Governo admite troca de raparigas por terroristas

O Governo da Nigéria admitiu que a libertação das raparigas raptadas foi feita em troca da libertação de alguns membros do grupo terrorista que estavam detidos.

O anúncio é a primeira confirmação oficial que o Governo nigeriano faz de qualquer troca feita durante os meses de negociações com o Boko Haram.

Depois da libertação negociada de 21 raparigas de Chibok em outubro, o Governo negou que tivesse pago um resgate ou libertado alguns dos membros do grupo extremista em troca das raparigas.

A declaração de hoje do Governo da Nigéria, citada pela agência de notícias Associated Press (AP), acrescenta que está previsto o encontro das 82 raparigas libertadas com o presidente Muhammadu Buhari no domingo, na capital da Nigéria, Abuja.

O conflito das forças governamentais com os fundamentalistas, particularmente sangrento na zona do lago Chade, já fez mais de 20.000 mortos e 2,6 milhões de deslocados.