Da Gâmbia, onde sobrevivia como agricultor, Ali Sonko migrou para a Dinamarca. E já lá vão 34 anos. Hoje, após lavar pratos desde o início no mundialmente famoso restaurante Noma, vai tornar-se coproprietário da empresa. Juntamente com os diretores Lau Richter e James Spreadbury.

A abertura do capital do futuro Noma - já que o atual restaurante fechou portas e irá reabrir numa outra localização, num conceito de "quinta urbana" - foi decidida e anunciada pelo chef René Redzepi, no passado fim de semana, numa festa de encerramento. Para os empregados e amigos.

O novo projeto é fantástico, mas o que é que valeria sem os seus empregados", sublinhou René Redzepi, que designou então Ali Sonko, como o primeiro dos seus futuros parceiros de negócio.

O Ali é a alma e coração do Noma. Não creio que as pessoas consigam perceber o que é ter alguém como o Ali nesta casa. Está sempre a sorrir, independentemente das preocupações que os seus doze filhos lhe deem. E já agora, o meu próprio pai também se chamava Ali e também lavou pratos quando veio para a Dinamarca".

Ali e os prémios

Redzepi anunciou ainda que o futuro Noma poderá vir a ter mais acionistas de entre os seus empregados. Mas, para já, os seus parceiros são três e Ali é o primeiro deles. A quem coube a honra de retirar da parede uma das letras do nome do restaurante: a letra "A", de Ali. Naturalmente.

Com duas estrelas Michelin, o Noma conseguiu por quatro vezes ser considerado o melhor restaurante do mundo, na escolha da conceituada revista britânica Restaurant.

O primeiro galardão foi atribuído em 2010 e aí Ali Sonko tornou-se notado. Precisamente, pela sua ausência em Londres, na cerimónia de atribuição do prémio.

No meio da alegria da distinção, ninguém se lembrou que Ali não tinha o necessário visto para ir a Londres. Teve assim de ficar-se pela capital dinamarquesa. Mas os restantes elementos da equipa homenagearam-no usando t-shirts com a sua foto quando receberam pela primeira vez o prémio de Melhor Restaurante do Mundo.

No ano seguinte, o Noma voltou a ganhar. E em 2012, também. Só que então, o caso mudou de figura. Ali Sonko esteve de carne e osso a receber o prémio. Deixou os pratos e coube-lhe mesmo a tarefa de falar na sessão de entrega do galardão.

Não consigo descrever o quão feliz sou por trabalhar aqui. Estas são as melhores pessoas com quem se pode trabalhar e eu sou amigo de todos. Mostram um enorme respeito por mim, e independentemente do que eu diga ou pergunte, eles estão comigo. E isso é o suficiente para mim para dizer que este é o melhor trabalho que alguma vez tive".