A Rússia anunciou a expulsão de um diplomata norueguês, em resposta à expulsão pela Noruega de um diplomata russo, acusado de espionagem, o segundo caso em alguns dias entre a Rússia e países europeus.

“Um dos principais diplomatas da embaixada da Noruega foi declarado ‘persona non grata’ e deve abandonar o território russo no prazo de três dias”, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado.

A decisão foi comunicada pessoalmente ao embaixador da Noruega, convocado ao Ministério, segundo o texto, que critica “a linha destrutiva prosseguida pelas autoridades norueguesas” na sua relação com a Rússia.

A porta-voz da diplomacia norueguesa, Guri Solberg, afirmou que a decisão russa não tem qualquer fundamento.

“O nosso diplomata não infringiu as regras e comportou-se em total conformidade com o âmbito da atividade diplomática”, declarou.

A Noruega anunciou a 19 de agosto a expulsão de um diplomata russo, dois dias depois da detenção em Oslo de um norueguês suspeito de espionagem para Rússia.

O norueguês detido, de cerca de 50 anos, trabalhava na divisão “petróleo e gás” do grupo de certificação norueguês DNV GL, especializado na verificação de instalações industriais e transportes de energia.

De origem indiana e a residir na Noruega desde 1997, Harsharn Singh Tathgar foi detido quando estava reunido num restaurante de Oslo com um diplomata russo.

Segundo a porta-voz norueguesa, a “expulsão pela Noruega de um diplomata russo está relacionada com uma investigação de um caso de espionagem e explica-se por comportamentos que não estão em conformidade com o papel de diplomata”.

Este é o mais recente de vários casos de espionagem ocorridos nas últimas décadas entre a Noruega e a Rússia, países que partilham uma fronteira no círculo ártico.

Por outro lado, é o segundo caso do género entre a Rússia e países europeus em duas semanas, depois de, na segunda-feira, Moscovo ter expulso um diplomata austríaco em resposta à expulsão pela Áustria de um diplomata russo acusado de espionagem industrial.

Em junho, um incidente semelhante envolveu a Rússia e a República Checa, com Moscovo a expulsar dois diplomatas checos, numa medida também de reciprocidade, depois da expulsão por Praga de dois diplomatas russos que acusou de estarem envolvidos em supostos planos para envenenar figuras da política.

/ AM