A polícia de Nova Iorque está a ser investigada por um episódio de violência em que um grupo de agentes tenta arrancar um bebé de um ano dos braços da mãe. Segundo as autoridades, a progenitora foi presa por se ter recusado a levantar-se do chão, num centro de serviços sociais, em Brooklyn, nos Estados Unidos.

O incidente foi captado por um telemóvel e publicado no Facebook na passada sexta-feira. Já conta, até ao momento, com mais de 500 mil visualizações e comentários de indignação.

No vídeo conseguimos ver Jazmine Headley, de 23 anos, deitada no chão com o filho bebé nos braços a gritar: “Eles estão a magoar o meu filho”. 

Lisa Schreibersdorf, diretora executiva dos serviços de defesa de Brooklyn, disse aos jornalistas que Jazmine estava há quatro horas à espera nos serviços sociais para arranjar uma creche para o filho.

Uma vez que não havia cadeiras, a jovem sentou-se no chão com o bebé. Um dos guardas pediu que se mudasse para outro sítio, a mulher não quis e foi aí que se iniciou uma discussão, até que o guarda decide chamar a polícia. Quando os agentes do New York Police Department - NYPD (Departamento de Polícia de Nova Iorque) chegaram, pediram igualmente a Jazmine para sair do sítio onde estava.

Depois de tanta insistência, os oficiais perderam a paciência, arrastaram a jovem no chão e tentaram retirar-lhe o filho dos braços. No vídeo, são claros os puxões à criança. Um dos polícias chegou mesmo a ameaçar a jovem com o que parece ser um taser, enquanto ela grita “eu estou a implorar”.

O grupo de polícias acaba, no final, por conseguir escoltar a jovem mãe. Num comunicado enviado à BBC, o NYPD diz que que a investigação “incluirá uma inspeção de todos os vídeos disponíveis do incidente”.  

"Nenhuma mãe deveria passar por este trauma"

O autarca de Brooklyn, Eric Adams, condenou o incidente.

Não há nenhum procedimento policial que exija que os agentes respondam a uma disputa tirando uma criança das mãos de uma mãe, a menos que a criança esteja em perigo imediato"

A jovem mãe agradeceu a quem filmou o incidente e realçou que há muitas pessoas pobres em Nova Iorque que passam por detenções violentas, ainda que não tenham cometido nenhum crime grave.

A Procuradora-Geral de Nova Iorque, Letitia James, também defendeu que "nenhuma mãe deveria experienciar o trauma e a humilhação que todos nós testemunhamos no vídeo".

A polícia justifica o caso dizendo que Jazmine foi acusada de várias contraordenações: resistir à prisão, impedir a administração governamental, transgressão criminosa, e agir de maneira prejudicial a uma criança.

A mulher continua presa, e as autoridades dizem que o seu filho está ao cuidado de um familiar. A audiência no tribunal está marcada para quinta-feira.