A Índia administrou, nos primeiros 100 dias da sua campanha de vacinação, 141 milhões de doses de vacina contra a covid-19, enquanto enfrenta uma violenta segunda vaga da pandemia que colocou o país à beira da crise.

O Ministério da Saúde da Índia revelou esta segunda-feira que as autoridades administraram 141,9 milhões de doses nos primeiros 100 dias da “maior campanha de vacinação do mundo”, que começou no dia 16 de janeiro neste país de cerca de 1,35 mil milhões de habitantes.

As autoridades indianas estabeleceram a meta de vacinar com as duas doses necessárias cerca de 300 milhões de pessoas até ao final de julho, mas os números diários da vacinação lançam dúvidas sobre a viabilidade do objetivo.

O país administrou, até agora, as duas doses de vacina a 22 milhões de pessoas, com uma das duas fórmulas em uso: Covishield, da AstraZeneca, e a indígena Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech.

Nas últimas 24 horas, o país administrou apenas 995.288 doses, uma descida significativa em relação aos 3,1 milhões de vacinas administradas na segunda-feira passada ou os 3,7 milhões no mesmo dia de há duas semanas.

Estes dados surgem no mesmo dia em que é sabido que a Índia ultrapassou 17 milhões de infetados pelo coronavírus Sars-Cov-2 desde o início da pandemia, registado 352.991 novas infeções e 2.812 mortes nas últimas 24 horas, os maiores números registados até agora, de acordo com o Ministério indiano da Saúde.

Além disso, o sistema indiano de produção de vacinas está no limite, como sublinhou Adar Poonawalla, diretor executivo do Serum Institute of India (SII), o maior fabricante e produtor mundial de vacinas de Covishield.

O SII produz atualmente cerca de 70 milhões de doses por mês, embora esteja a tentar aumentar a sua capacidade para 100 milhões, após receber financiamento do Governo, ao mesmo tempo que quer aumentar a capacidade da Bharat Biotech.

Os Estados Unidos também anunciaram no domingo o “envio imediato” de princípios ativos para o fabrico de vacinas, cuja exportação estava bloqueada e que Poonawalla denunciava como impedimento à produção de doses na Índia.

As dúvidas sobre a capacidade da Índia de fornecer um número suficiente de vacinas aumentaram nos últimos dias, após o anúncio do Governo de permitir, a partir de 01 de maio, a vacinação de toda a sua população acima de 18 anos, liberalizando também os preços das vacinas.

“O Governo está a dizer que a vacinação foi aberta a todos, mas as vacinas não estão disponíveis”, denunciou Balbir Singh Sidhu, ministro da Saúde do estado de Punjab, governado pelo partido da oposição no Congresso.

Spidhu, acompanhado por outros três ministros da Saúde de estados governados pelo Congresso, afirmou que o plano do Governo obriga os estados a negociar a compra de parte das vacinas apesar de, como avisou o SII, estas não estarem prontas até 15 de maio.

No entanto, o ministro da Saúde, Harsh Vardhan, rejeitou, em comunicado divulgado no domingo, que o país sofra de escassez de vacinas e afirmou que a liberalização permitirá que aqueles que podem pagar sejam vacinados em particular, enquanto o Estado continua a administrar gratuitamente as vacinas aos que não têm meios para as pagar.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.109.991 mortos no mundo, resultantes de mais de 147 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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