A área afetada pelo acidente nuclear de Chernobyl tornou-se num autêntico refúgio para a vida animal, onde muitas espécies encontraram lugar para se reproduzirem tranquilamente, sem interferência humana. Um cenário que poucos imaginavam, depois do acidente de 26 de abril de 1986 com o reator 4 da central nuclear.

A área que circunda a central nuclear tem sido retratada como um lugar inóspito e inimigo de qualquer manifestação de vida.

A natureza veio mostrar o contrário. Apesar de não haver sinais de atividade humana na zona (ou talvez precisamente por causa disso), a fauna e a flora têm-se reproduzido livremente. Isso mesmo mostram vídeos divulgados pelo projeto TREE, que estuda a exposição à radiação nuclear em Chernobyl.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP, sigla do inglês), numa densa floresta em torno da central nuclear, podem ser vistos animais como veados, bisontes, cavalos e linces a vaguear. O UNEP diz mesmo que os quase 2800 quilómetros quadrados no Norte da Ucrânia apelidados de Zona de Exclusão de Chernobyl representa agora a terceira maior reserva natural da Europa continental, tornando-se uma experiência icónica, apesar de acidental, de reflorestamento.

As Nações Unidas estão a trabalhar diretamente como ministério ucraniano da Ecologia e Recursos Naturais, com a agência do governo ucraniano responsável pela Zona de Exclusão de Chernobyl e com o Governo da vizinha Bielorrússia, para instigar esse renascimento. Em 2015, foi lançado um projeto de seis anos que tem ajudado a estabelecer uma reserva de biosfera em volta da Central Nuclear.

Ambas as reservas [ucraniana e bielorrussa] vão permitir o crescimento da floresta natural, para ajudar também a purificar a terra e as águas contaminadas”, explicou Mahir Aliyev, responsável das Nações Unidas pelo projeto.

Na verdade, o incremento da vida selvagem foi, em algumas regiões, quase imediato à explosão. Os níveis de radioatividade começaram a descer logo um ano após o acidente. Investigadores no setor bielorrusso da zona de exclusão descobriram, ainda entre 1987 e 1996, populações de javalis, alces e veados. A UNEP diz que, em meados da década de 1990, a população de lobos cresceu de tal forma que se tornou incómoda para os agricultores da região.

Manuela Micael