Afinal, onde está Peng Shuai, a tenista chinesa que está desaparecida desde o início do mês, depois de ter denunciado que foi abusada sexualmente por um antigo vice-primeiro-ministro chinês?

A mensagem que a própria supostamente terá divulgado na quinta-feira, segundo a imprensa estatal chinesa, garantindo que não está desaparecida e que as acusações de abusos sexuais são falsas, não teve o efeito desejado. Em vez de acalmar as especulações acentuou-as, gerando ainda mais preocupação sobre o seu paradeiro e, claro, bem-estar.

Talvez por isso, a mesma imprensa tenha decidido divulgar neste sábado várias imagens alegadamente partilhadas por Peng Shuai no WeChat, uma versão chinesa do WhastsApp, e ainda dois vídeos.

Tanto as fotografias como os vídeos foram partilhados nas contas pessoais de jornalistas chineses ligados ao Global Times, um deles o próprio chefe de redação. 

Relativamente às fotos, o texto explicativo diz que aquelas foram partilhadas durante uma conversa com uma amiga, na qual Peng Shuai também terá dito "bom fim de semana". Além das imagens foi exibida uma captura de ecrã com a troca de mensagens.

Quanto aos dois vídeos, o chefe de redação do Global Times, Hu Xijin, disse que foram filmados neste sábado, em Pequim, num restaurante. Nas imagens, à mesa, além de Peng Shuai, está também o seu treinador e duas amigas.

No segundo vídeo, vê-se o grupo a chegar ao restaurante, com Peng Shuai sorridente para a câmara.

De acordo com a France Presse, os vídeos, cuja autenticidade a AFP não conseguiu determinar, parecem encenados, analisou a agência noticiosa.

A conversa à mesa é sobre ténis e o homem que está sentado diz que "amanhã é dia 20 de novembro", sendo que é interrompido por uma das mulheres que lhe diz que "é domingo, dia 21".

Nos dois vídeos, a tenista chinesa surge sorridente e aparentemente tranquila.

Nações Unidas querem explicações

O desaparecimento de Feng Shuai tomou proporções tais que as próprias Nações Unidas querem provas sobre as condições em que se encontra a tenista de 35 anos.

"Seria importante ter provas do paradeiro e saber se ela está bem. Pedimos uma investigação transparente sobre as acusações de agressão sexual", disse, na sexta-feira, Liz Throssell, porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, numa conferência de imprensa em Genebra.

Peng Shuai acusou através das redes sociais o antigo vice-primeiro-ministro da República Popular da China, Zhang Gaoli, de a ter forçado a manter relações sexuais há três anos. 

Há vários dias, figuras destacadas do ténis a nível mundial começaram a expressar inquietação sobre as circunstâncias em que Peng Shuai desapareceu.

Recentemente foi criada a campanha #WhereIsPengShuai (Onde está Peng Shuai?) através do Twitter.

Os serviços de censura do regime de Pequim apagaram das redes sociais as acusações da tenista desaparecida.

A acusação tinha sido divulgada através do Weibo, rede social chinesa equivalente ao Twitter, e pouco depois da mensagem ter sido publicada a tenista desapareceu.

A WTA, organismo responsável pelo circuito internacional de ténis profissional feminino, também pediu "uma investigação completa, justa e transparente sobre as alegações de violência sexual".

Catarina Machado