Donald Trump deu uma entrevista ao Wall Street Journal, este sábado, e falou pela primeira vez sobre alguns dos assuntos polémicos que debateu na campanha presidencial. Ao que tudo indica o discurso do republicano mudou, está mais moderado, menos populista e já não descarta a hipótese de manter o programa de saúde criado pela administração de Barack Obama.

Até ser eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump advogava romper com as políticas de Obama que considerava desastrosas, entre elas o ObamaCare. Agora, e depois de se ter reunido com o antecessor na Casa Branca, na quinta-feira, o republicano já admite não o rasgar por completo. Mas há mais cedências.

Donald Trump quer continuar a proibir as seguradoras de negarem cobertura por causa das doenças crónicas dos pacientes e permitir que os pais proporcionem anos de cobertura adicional para os filhos nas suas apólices de seguro.

Mas o presidente eleito voltou a sublinhar que as suas prioridades iniciais são outras.

Trump quer desregulamentar as instituições financeiras de forma a permitir que a banca possa voltar a emprestar dinheiro e, com o mesmo nível de prioridade, reforçar as fronteiras para combater o tráfico de droga e a entrada de imigrantes ilegais no país.

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Também a questão da criação de emprego voltou a ser referida. O milionário reforçou a ideia de que quer fomentar a empregabilidade nos Estados Unidos através da criação de projetos de melhoramento das infraestruturas, ao mesmo tempo que irá procurar melhorar acórdãos comerciais internacionais.

Apesar de usar um tom mais amistoso, Donald Trump continua sem convencer os milhares de pessoas que se têm manifestado contra a sua eleição. Mas no Twitter, o republicano já se defendeu e relembrou que foi eleito de forma “transparente” e que considera os protestos são realizados por “profissionais, incitados pela comunicação social”, o que se revela “muito injusto”.

Não muito tempo depois, Donald Trump voltou ao Twitter e disse que, por outro lado, é bom ver pequenos grupos de manifestantes “apaixonados por este grande país”

“Vamos ficar juntos e orgulhosos”, concluiu o presidente eleito.

Na entrevista ao jornal norte-americano, Donald Trump foi ainda confrontado com uma das bandeiras que defendeu durante a campanha. Num dos debates eleitorais com Clinton, o republicano afirmou que se fosse eleito iria criar uma comissão para investigar a democrata no caso dos e-mails que terá recebido e enviado de uma conta pessoal enquanto foi Secretária de Estado.

Não é algo em que tenho andado a pensar, porque quero resolver as questões relacionadas com a saúde, o emprego, o controlo das fronteiras, a reforma tributária", explicou o presidente.

Por outro lado, Donald Trump não consegue identificar uma única prioridade para o momento em que assumir a Casa Branca. “Tenho um monte de primeiras prioridades”, disse.

Sobre as relações externas, Trump não levantou muito o véu sobre a direção que irá dar às suas primeira ações, mas reiterou que tem uma opinião diferente da governação Obama sobre a China, Síria e Rússia, o que não é novidade porque durante a campanha disse-o várias vezes.

Trump quer aliar-se à Síria para combater o Estado Islâmico (EI), em vez de se preocupar em derrubar o presidente Bashar al-Assad.

Se combates a Síria e a Síria combate o EI, então tens de apoiar a Síria. Agora estamos a apoiar rebeldes contra a Síria, e não temos ideia de quem são essas pessoas”, explicou.

Também o conflito Israel-Palestina foi abordado e Trump disse que essa é uma “guerra que nunca acaba”, mas espera poder ajudar a encontrar uma resolução conjunta.