Um jovem escocês, que sofre de autismo, passou grande parte dos últimos dez anos a observar aviões a descolar e a aterrar no aeroporto de Glasgow, na companhia de familiares. A experiência ajuda Calum Thomson, de 18 anos, a “controlar as emoções” e a “voltar ao normal” depois de uma crise, além de aprender a conversar e a interagir com pessoas ao redor.

De acordo com a BBC, quando vai ao aeroporto com o pai, o que acontece quase todos os dias, Calum Thomson junta-se a dezenas de outros elementos do Grupo de Observadores de Aeronaves de Glasgow, que reúne pessoas interessadas em aviação e que gostam de observar aviões.

Um evento desse género é desafiante para o jovem, já que o autismo é um transtorno neurológico que provoca hiperatividade, comportamentos compulsivos e explosões de humor.

Quando Calum está a ter uma crise, é como se tivesse um moinho de vento a girar-lhe dentro da cabeça. Não se consegue conversar ou racionalizar com ele. O aeroporto ajuda a fazer as coisas voltarem ao normal. Ele fica mais relaxado, mais calmo e o maior bónus é a interação social [com outros observadores de aviões]", afirma o pai do jovem à estação britânica de televisão.

Tommy Thomson, de 48 anos, diz que o aeroporto é o "local de felicidade" do filho.

"Observar, fotografar e filmar aviões ajudam Calum a controlar as emoções. Ele gosta de tirar fotografias e acompanhar os voos através de várias aplicações para telemóvel. Gosta de anotar os registos dos voos, o que é um bónus, porque isso o ajuda na escola e a ficar menos stressado", explica.

Tommy Thomson realça que a observação de aviões ajudou Calum a "evoluir de formas que não seria capaz de descrever".